domingo, 23 de novembro de 2008

SE EU FOSSE DHLAKAMA


Vou chamá-la de mania. A mania “SE”.
Primeiro foi o “SE Obama fosse Africano” do escritor Mia Couto que gerou muitos e interessantes debates. Uma incisiva interpelação do sociologo Patrício Langa, abriu uma outra “vaga” de debates. Logo asseguir surgiu o “SE Mugabe fosse Americano” do Sociologo Elisio Macamo. Li e "roubei" para Meu Mundo esses tres "SEs". Tenho seguido atentamente os debates que vao se desenrolando a volta deles.
No “vento” desses “SEs” e a luz dos resultados das eleições autárquicas, especialmente os da Beira pensei em que faria SE fosse Dhlakama. Dizem que não se pode chorar sobre o leite derramado mas eu:
• Reconheceria/aceitaria os resultados sem falar de fraudes a não ser que tivesses provas incontestáveis.
• Aceitaria a pesada derrota registada e assumir responsabilidade directa e indirecta por ela.
• Reconheceria ter sido um erro a decisão de trocar Deviz Simango por Manuel Pereira. Erro agravado pela decisão de expulsar-lo da Renamo e proibí-lo de usar os seus símbolos.
• Reconheceria ter sido errado, toda manobra tendente a impedir Simango de concorrer como independente. Reconheceria não ter sido por mã fé e não por amor à legalidade que se tentou impugnar a sua candidatura alegando um sem número de ilegalidades.
• Admitiria ter sido errado a “aliança” com Frelimo para travar Simango.
Não limitar-me-ia a lamentar pelo que fiz mas também tomaria umas medidas a saber:
• Na mais profunda atitude de humildade fazia as pases com o “miúdo” e aliar-me-ia a ele. Isso incluiria necessariamente readmití-lo no partido e desfazer todos os mal entendidos que ficaram por ai.
• Juntava-se aos seus projectos visando desenvolver a Beira para mostrar que acima de discursos políticos o desenvolvimento da Beira e consequente bem estar dos munícipes é oque realmente “matters”.
• Promove-lo-ia dentro da liderança do partido e isso incluiria admitir a possibilidade de entregar-lhe os destinos do partido.

Se eu fosse Dhlakama faria isso e muito mais. Por Moçambique minha pátria e seu povo, pela Renamo partido que dirijo, pela democracia de que digo ser pai e digo ter sido objecto da luta que durante 16 anos dirigi.

6 comentários:

Reflectindo disse...

Nelson, estás sendo estudante ou recruta!
E isso devia ser já, mas de facto há muito que devias fazer se fosses Dhlakama - convocar um congresso transparente e de reconciliacão com todos os que foram teus vítimas, por exemplo Raul Domingos, Jafar Gulamo.

Nelson disse...

"estudante ou recruta"
Acho que nao apanhei essa Reflectindo. Sei que como Dhlakama tem muito que eu faria. Deixaria por exemplo de esperar que as fraudes acontecessem para me queixar delas em casos de derrotas. Baseado nas derrotas e supostas fraudes anteriores, faria o TPC com vista a evitar proximas. Sei Reflectindo que tem muita gente com feridas criadas por mim e seria necessario reconciliar-me com todos eles.

Nelson disse...

Reflectindo, teria um blog aberto a ideias, critica de seja la quem fosse . Teria uma equipa de acessores(nao lambe bota) que avaliassem oque fosse dito(escrito).

X!mb!t@nE disse...

Finalmente um SE que me agrada! Mano, se eu fosse Dhlakama, juro que punha o meu lugar a disposiçao!

Nelson disse...

"se eu fosse Dhlakama, juro que punha o meu lugar a disposiçao!"
Vou colecionando essas mana.
Demitir-se seria necessario. Qualquer outra medida seria incompleta.

umBhalane disse...

Caro Nelson

Parabéns pelo teu SE.

É mais realista, mais próximo que os outros apontados,

com o devido respeito pelos autores, e exercício de ideias, pensamento, explanadas.

Nada disso está em causa.

Mas, SE eu fosse Mulher – também é uma coisa distante, nunca poderei sentir como uma Mulher, falar, escrever o âmago do que é ser Mulher.

Explicado o ponto dos SE.

O teu SE, bem mais prático,

é um libelo à consciência de um homem bem formado, humilde, sem apego ao poder, democrático.

É um carta de boas intenções, das melhores, subliminarmente complementada pelo ponto da Ximbitane, a quem cumprimento.

Aliás, esse deveria ser o ponto Nº. 1 – Não demitir-se, mas por o cargo à disposição, e abertamente relançar a questão da liderança do Partido – os órgãos próprios decidiriam – há que tirar ilações, “e isso devia ser já”, como muito bem diz o Reflectindo.

De contrário a Renamo tornar-se-á um pântano putrefacto,

para gáudio dos seus “inimigos” e,

desespero dos seus militantes e simpatizantes.