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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Cheias no Zambeze V


Ah Mariana!
Eu te disse que era assim em todas as luas
O Zambeze segue a promiscuidade dos deuses
E se deixa encantar

O espírito do rio deixa o corpo
E segue viagens
Eu te disse Mariana
Que encantamento algum lhe segura

Os ventos que sopram
Nada trazem de novo
Levantam-nos sim as vestes
Deixando a descoberto partes proibidas
Nossas vergonhas seculares
E você sabia Mariana

Faraó nenhum deixou o Nilo Mariana
Por isso te pedi
Roguei que esperasses que os mêses se acertassem
Não sei se também são nove
Que o Zambeze parisse
Te pedi para seres a parteira

Fica Mariana!
Os crocodilos vão precisar de consolo
E a terra molhada
Estrume para as próximas colheitas
Fica Mariana!
Fica!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Já se Morre nas Cheias


AS autoridades de gestão das calamidades anunciaram ontem o registo do primeiro caso de óbito, em consequência das cheias na região centro do país. Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), trata-se de um corpo visto a flutuar nas águas do rio Zambeze e que devido às condições no terreno não foi possível o seu resgate. Entretanto, aquelas autoridades e o Programa Mundial da Alimentação (PMA) estão a equacionar a realização de ponte aérea para a canalização de víveres para as zonas de difícil acesso no Vale do Zambeze. O processo de distribuição de alimentos teve início ontem, acompanhado pela criação de outras condições logísticas como a alocação de tanques de água, lonas, fornecimento de cloro e assistência sanitária nos centros de acomodação das vítimas das cheias.
Maputo, Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008:: Notícias
A canalização de víveres acontece depois de um aturado trabalho de triagem, tendo-se confirmado que, efectivamente, algumas vítimas não constavam da lista das pessoas flageladas pelas cheias do ano passado.

No centro de reassentamento de Zona Verde, no distrito de Mopeia, onde a nossa Reportagem esteve ontem, as vítimas informaram ao governador da Zambézia, Carvalho Muária, que passaram fome durante duas semanas, em virtude de terem sido evacuadas sem mantimentos.

Relativamente às zonas de difícil acesso, o PMA acaba de alocar dois helicópteros de carga com capacidade de duas toneladas cada, que deverão entrar em operações a qualquer momento.

Os mesmos meios poderão vir a ser igualmente utilizados para o resgate de pessoas, caso a situação assim o justifique, segundo reafirmou João Ribeiro, director-geral adjunto do INGC.

Ainda ontem foram reforçados os meios de resgate, com a chegada de mais embarcações na delegação do CENOE, em Caia. Até à passada terça-feira, 59275 pessoas tinham sido retiradas pela UNAPROC e pelos comités locais de gestão de risco nas zonas consideradas susceptíveis a inundações para áreas seguras ao longo do Vale do Zambeze.

De acordo com informações da Direcção Nacional de Águas, o país continuou a registar precipitação fraca e dispersa em todo o território nacional, situação idêntica ocorrida nos países vizinhos.

As bacias hidrográficas da região centro, nomeadamente o Licungo, Zambeze, Púnguè, Búzi e Save continuam em situação de alerta e a registar oscilações de níveis, com tendência estacionária, não obstante registar-se cenário contrário no Baixo Zambeze.

Com efeito, em Mutarara e Marromeu o nível da água atingiu o mesmo valor registado nas cheias passadas, e em Caia já ultrapassou o pico em mais de 80 centímetros.

Contrariamente a esta situação, em Tete, a montante, os níveis hidrométricos registados este ano ainda são inferiores aos das cheias de 2006/2007.

Na região norte e sul os rios mantêm-se estáveis e abaixo do alerta, com excepção da bacia do Limpopo, que, apesar da tendência de baixar, continua acima do alerta.

Face ao abrandamento das chuvas, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa mantém as descargas na ordem de 5500 metros cúbicos por segundo, enquanto que as restantes continuam a registar incremento normal dos níveis de armazenamento.

Em praticamente todas as bacias hidrográficas prevalecem elevados volumes de escoamento, aconselhando-se a população a manter-se longe das zonas baixas e ribeirinhas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Cheias no Zambeze IV


Querida,

Tem gente me perguntando

Porque não te deixo

Se a cada ano me queixo

Dessas tuas manias de enchentes


Porque não saio dos teus braços

Me solto em busca de outros amores

Corações mais seguros


Mas eles não sabem querida

Que amor eterno nos une

Amor cimentado pelos mortos

Que sepultamos no teu ventre


Amor encomendado pelo sabor da batata

Alegria dos pepinos dos teus seios

As tuas ancas abobradas

Não sabem da gordura das nossas colheitas


Não sabem da eternidade da nossa história

Que em ti, só em ti

Existe minha existência

Sempre existiu

Mesmo com as tuas manias de enchentes


Mas mesmo sabendo disso

Essa gente pensa que amor sofrido como nosso

Amor regado de lágrimas e tristezas

Não tem graça

Só desgraça

E eu penso que eles estão certos querida


Mas essa gente também não sabe

Que se te deixo não tenho para onde ir

Outro coração que me ame como tu

Nunca me deram alternativa

Embora pensem que sim

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cheias no Zambeze III


Da Preta do mozamigos.com, recebi uma breve rabiscada em jeito de comentário às cheias no Zambeze II. A tecnologia nos ludibriou e nós a ludibriamos. Eis o comentário:


"Faça desse poema uma canção. Quiça aqueles seres que ontem eram pequeninos e hoje já estão grandinhos, aprendam que, por aquelas bandas, o Zambeze é o único que tem o dom de ser pequenino e grandinho?

É deveras revoltante ver e ouvir que pessoas recusam-se a retirar-se das margens do Zambeze pondo em risco suas próprias vidas e a dos que os querem salvar!!!

Há coisas que de facto não se deviam voltar a fazer: resgatar populações vivendo nas margens do rio Zambeze, afinal a gente aprende com os erros e as experiências já vividas.

Lá onde meu cordão umbilical caiu, existe uma lagoa que tem as suas "marés". Quando é tempo da maré baixa, todos vão as margens para semear, pois é bom colher o fruto do seu suor. Mas, o celeiro e o principal abrigo, esse fica lá, bem no alto, distante. Na época da maré alta, se é que assim se pode dizer, nunca se resgata ninguém pois é do conhecimento geral o "temperamento da lagoa"! "

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cheias no Zambeze II


Conheço Zambeze desde os dias de menino

Quando ambos pequeninos

Por essas alturas de embriaguês

Corriamos atrás dos pepinos

Que inocentes flutuavam no seu ventre


Me lembro como Zambeze se fazia grande

Inundava bananeiras e papaeiras

Inundava crocodilos

E ria-se às gargalhas

Zombando a pequenês dos hippos


Eramos ambos pequeninos

E nas lareiras das noites chuvosas

Agasalhados pelo frio

Nos contavam histórias distantes

Das brincadeiras do Zambeze


Zambeze cresce todas vezes

Cresce todos dias

Basta que o coveiro anuncie a sepultura do Dezembro

Basta o sol de Janeiro nascer

Zambeze cresce

Cresce desde o tempo que éramos ambos pequeninos

Desde até antes de existirmos


Hoje Zambeze cresceu

E o povo esqueceu

Que Zambeze cresce todos dias

Basta que o coveiro anuncie a sepultura do Dezembro

Basta o sol de Janeiro nascer

Zambeze cresce