Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Cheias no Zambeze V


Ah Mariana!
Eu te disse que era assim em todas as luas
O Zambeze segue a promiscuidade dos deuses
E se deixa encantar

O espírito do rio deixa o corpo
E segue viagens
Eu te disse Mariana
Que encantamento algum lhe segura

Os ventos que sopram
Nada trazem de novo
Levantam-nos sim as vestes
Deixando a descoberto partes proibidas
Nossas vergonhas seculares
E você sabia Mariana

Faraó nenhum deixou o Nilo Mariana
Por isso te pedi
Roguei que esperasses que os mêses se acertassem
Não sei se também são nove
Que o Zambeze parisse
Te pedi para seres a parteira

Fica Mariana!
Os crocodilos vão precisar de consolo
E a terra molhada
Estrume para as próximas colheitas
Fica Mariana!
Fica!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cheias no Zambeze II


Conheço Zambeze desde os dias de menino

Quando ambos pequeninos

Por essas alturas de embriaguês

Corriamos atrás dos pepinos

Que inocentes flutuavam no seu ventre


Me lembro como Zambeze se fazia grande

Inundava bananeiras e papaeiras

Inundava crocodilos

E ria-se às gargalhas

Zombando a pequenês dos hippos


Eramos ambos pequeninos

E nas lareiras das noites chuvosas

Agasalhados pelo frio

Nos contavam histórias distantes

Das brincadeiras do Zambeze


Zambeze cresce todas vezes

Cresce todos dias

Basta que o coveiro anuncie a sepultura do Dezembro

Basta o sol de Janeiro nascer

Zambeze cresce

Cresce desde o tempo que éramos ambos pequeninos

Desde até antes de existirmos


Hoje Zambeze cresceu

E o povo esqueceu

Que Zambeze cresce todos dias

Basta que o coveiro anuncie a sepultura do Dezembro

Basta o sol de Janeiro nascer

Zambeze cresce