sexta-feira, 14 de março de 2008

SIMPATIZANTE DA RENAMO?


Escrevo hoje com urgência. Devo desabafar.
Tudo começou quando na habitual imitação que faço aos meninos de rua, fui revirando os "contentores", consumindo textos nesses montes de blogs com que estou habituado a conviver. Foi assim que me dei aqui com o seguinte texto:

"Where are the Frelimo bloggers?

It is striking that the Mozambican blogosphere is dominated by creative, bright, alert and sharp Renamo sympathisers.
Are the Frelimistas hiding, are they shy or don't they feel at ease demonstrating where they belong?

It's about time you come out from your closets, camaradas!"

Link aqui, link ai acabei dando aqui com o mesmo texto, mas desta vez com tradução "livre"

"É impressionante que a blogosfera moçambicana está/é dominado por simpatizantes creativos, brilhantes, atentos e simpatizantes alertos da Renamo. Os frelimistas estão a se esconder, são tímidos ou não sentem na facilidade de demonstrar onde pertencem?
É tempo de vocês sairem dos vossos armários, camaradas!

Porque também blog, também critico, me senti visado.
Comentei que criticar a Frelimo no seu todo ou em partes(seus pecados) não faz de seja lá quem for automaticamente simpatizante da Renamo. Ao negar essa "renamização" da blogosfera moçambicana, nego exactamente oque critico na Frelimo. Não é questão de se assosciar ou não à Renamo mas o receio de se ver impedido de pesar. É que falta e muito a cultura de autocrítica. Se me associam a Renamo pelo simples facto de criticar a Frelimo nos seus aspectos claramente negativos, não duvido que usando o mesmo raciocínio me associem à Frelimo no dia em que me vir obrigado a criticar a Renamo. É uma generalização barata. Existe essa tendência de etiquetar todo mundo. Todos temos que ter alguma côr? Se não somo vermelhos logo somo verde amarelo? Ou somos perdiz e ou pangolim? Não posso ser eu? Não posso escrever, sobre a situação, económica, politica e social de Moçambique, sem me aliar à alguma cor partidária que como alguém disse é "sem pensamento de um grupo agregado de alienados ao pensamento de um e que convertem outros tantos em cegos alienados ou seja puros alienados e sem capacidade de reflexão para alem das barreiras forçadas por uma ideologia sem sustentáculos sociais e políticos, credíveis, impostas por indivíduos com défice de pensamento"?

"Sou partidário do positivo para o povo, sou apartidário de uma oposição construtiva, o que tem faltado na nossa vasta pátria"

"Atiro chumbo" ao que está errado e se for necessário atiro ao meu pé. Quero continuar com essa capacidade, criatividade, atenção e sobretudo liberdade de dizer oque acho das coisas.

8 comentários:

umBhalane disse...

Grande Nelson.

É assim mesmo.

Independência de pensamento, e liberdade da sua completa expressão.

De contrário, não passaremos de "vegetais".

Viver é preciso.

Um abraço Luabense.

AGRY disse...

Daqui, do outro lado do oceano, gostaria de o felicitar pela sua brilhante caminhada rumo à independência intelectual.
O pensamento único, os fundamentalismos, só deixam destruição por onde passam. A capacidade e o direito à indignação não se compadece com espíritos pré-formatados. Sem liberdade de escolha, o mundo é bem mais difícil.
As coisas, como diz e bem, também são verdes! Há nuances, é verdade: O verde-alface ; verde-garrafa, verde-montanha; verde-mar, etc., etc. No universo dos verdes, como se vê, não pode haver pensamento único. Dentro da mesma matriz, há campo de manobra
Abraço
Agry

Nelson disse...

Ai liberdade... liberdade de pensar... Vontade própria...
Aprendi na pouca teologia que tenho que o livtre albítrio é tão nosso que nem Deus mexe com a nossa vontade de aceitá-lo ou reijetá-lo aliás é uma das caracteristicas mais fascinante que acho nele. Poderoso como dizem ser imageno-o levando-nos na coleira à adorá-lo... seria no mínimo cruel...

(Paulo Granjo) disse...

Também me chocou o post que menciona.
Só não reagi por já ser suficientemente acusado de, como estrangeiro, meter o nariz no que não me diz respeito.

Parece que há quem não perceba que, para além dos moçambicanos que (muito legitimamente) têm uma filiação partidária ou uma "lealdade" fixa, a esmagadora maioria expressa críticas a ambos os partidos e, se vota regularmente neste ou naquele, o faz muitas vezes por achar a alternativa pior. Como é normal, quem está no poder e o poderia exercer de outra forma dá mais aso a críticas...

O post que menciona não corresponde à verdade mas, mesmo que correspondesse, ainda teria o problema de se basear num pressuposto fascistóide: o de que quem não está comigo está com os meus inimigos.

Um abraço.

micas disse...

Se a minha opinião conta....continua tal como és.

A nossa liberdade de pensamento e de expressão são coisas preciosas. Que cada um pinte o mundo da melhor forma possível e com as cores mais belas.

nelson disse...

Ai Mariazinha, tua opinião conta sim e conta muito. Continuaria contando mesmo que fosse totalmente oposta. Aliás essa é a grande vantagem que possuem os defensores da liberdade de pensamento como eu.
Ao Paulo:
Os que acham que por seres estrangeiro não tens o direito de dizer oque pensas sobre Moçambique devem ser da "mesma caixa" de "etiquetadores" que não suportam diferenças. Isso de ser estrangeiro é só um desculpa que usam para tentarem te amordaçar. Pense Paulo e expresse esse pensamento. Até Deus te suporta quando pensas diferente(errado) dele.

Reflectindo disse...

Caro Nelson

Pessoalmente não vi no texto a dita generalização ou que alguém se ache apontado como sendo da Renamo. Mas isso podia ser o Bosse a justificar ainda que nas suas respostas ao mesmo assunto de que é autor se desviou do que disse. Eu interpretei-o, talvez por desejo, que a maior parte dos bloguistas era de moçambicanos críticos, brilhantes (talvez académicos), atentos incluindo simpatizantes mais atentos da Renamo. Portanto, isto é mesmo que escrever o seguinte: os participantes das manifestações de 5 de Fevereiro, em Maputo, foram jovens e mamanas. As mamanas não passam necessariamente a serem jovens e vice-versa.

Se eu interpretasse o texto como dizendo que os bloguistas eram simpatizantes da Renamo já não teria sido um artigo muito interessante para mim porque seria o que vivemos no dia-a-dia em Moçambique. Por um lado, as coisas não andam porque a crítica dentro dos grupos em que se pertence não é permitida e o que se incentiva é ataque ao outro. Por outro lado, eu conheço alguns bloguistas que são da Frelimo.

Eu acho que do texto do Bosse podemos aproveitar em analisar a função dos blogues moçambicanos e como eles nasceram, porque na minha opinião, se a maior parte da blogsfera moçambicana se dedica à crítica, deve ser por falta de uma oposição actuante. Veja-se simpatizantes atentos da Renamo é uma outra premissa na análise da blogosfera moçambicana.

Nelson disse...

Oh reflectindo. A generalização esta bem para o fim do texto onde o autor anda a procura dos blogueiros da Frelimo e os convida a sair dos armários. Deve ficar claro que não tenho nada contra o ser ou não simpatizante da Renamo. Se os simpatizantes da Renamo fossem realmente atentos e isento desse "mal " que procuro fugir, teriam e em diversas ocasiões critcado o mal que se faz "em casa". Vai me dizer que anda tudo certinho por lá? Chovem críticas contra a Frelimo por ser o governo do dia. Por sobre ela estar a responsabilidade sobre um monte de coisas que precisam ser endireitadas. Um crítico atento e "desensovacado" como diria o Bamito é oque eu quero para mim.