segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Adeus Mariazinha


Adeus Mariazinha.
Vou dentro de dias deixar o Chitengo.
De 19 de Dezembro à 17 de Janeiro estaremos off numas ferias colectivas agravadas pela épocas das chuvas que saba nos estragar o negócio do Parque. As picadas ficam alagadas, intransitáveis e os safaris impossíveis. Pretendo passer dois ou três dias na Beira antes de rumar à Quelimane onde pretendo passer o Natal e o ano novo. Correndo tudo como quero ainda penso em dar um pulo à Nacala para conhececer e conhecer alguns amigos até agora virtuiais.
Digo Adeus e ficas com a impressão que estou de partida. E estou. Talvés essa não seja última carta que te escrevo antes do fim do ano mas acredito que sera última daqui de Chitengo.
Quero agradecer-te Mariazinha pelo ano que passamos juntos. Podes não teres percebido o quão importante foste para mim. Apesar de “distante” sobre todos os pontos de vista estiveste bem presente e por isso te sou eternamente grato. O ano foi “longo”. Cheio de coisas e coissinhas boas e ruins. Procurei sempre que pudo te contra um pouco do que ia vivendo por cá e cada vez que o fazia era como se revivesse oque ia te narrando. Cheguei mesmo a me perguntar se eras mesmo imaginária, se existias realmente apenas nesse meu mundo da telinha. É que as vezes te ouvia as perguntas, te sentia as lamentações e as saudades de te escrever eram incrivelmente reais.
Nessas ferias não vou poder escrever, mas faz tempo que não te escrevo regularmente por isso penso que não fará muita diferença.
Mariazinha esse ano, em jeito de balance, foi de muitas mudanças. Deixar Beira e tudo oque ela representava, para passar a morar e trabalhar aqui no Chitengo(Parque Nacional da Gorongosa) foi uma mudança das maiores. Para trás ficaram amigos, colegas da faculdade e muito mais. Mas em troca nasceram outras amizades. MAriazinha uma coisa que ficou provada para mim mesmo é que eu(Nelson) sou bom de fazer amigos. Sei que elogio sabe melhor vindo de boca alheia mas as vezes tem que vir da própria boca. Não achas? Aqui fiz muitos e bons amigos. Pessoas que me disseram que eram chatas e que devia ter cuidados com elas, achei-as(quem sabe tornei-as) mansinhas. Descobri(provei) que todo mundo tem algo de especial e basta quererermos para descobrir e desfrutar o lado especial das pessoas. Nãointeressa quão distante as pessoas estejam, podemos desfrutar de sua companhia e bondade.
Mariazinha digo adeus só porque vou deixar Chitengo, donde te escrevi nesses últimos dias mas não te deixo de jeito nenhum.
Quando atravessar o Zambeze vou me lembrar de ti. A grandeza do Zambeze conjugada com a sua “pequenez” que vai se evidenciando a medida que se vai erguendo a ponte sobre ela, vão me lembrar desse contraste que é estares presente e ausente, distante e próxima, seres virtual e real.
Vou nessas ferias curtir essas coisas típicas lá da terra do coco. Não me lembro quando foi a última vez que bebi água de lanho. Mariazinha não quero de deixar com agua na boca senão ainda decides vir comigo oque nem seria mau. Deixa-me ficar por aqui mas antes desejar-te um feliz Natal e próspero 2009
Nelson Livingston

2 comentários:

Ximbitane disse...

Boas festas para ti, Nelson! A Mariazinha que há em mim já esta morrendo de saudades.

PS: Faz um diario para nos contares as peripecias dessas tuas ferias, ok?

Aquele abraço fraterno

micas disse...

Amigo,

Acredita que vais deixar saudades nesta Mariazinha. Mesmo quando as cartas já não eram escritas com a regularidade do início, todas as sextas aqui vinha à procura de mais uma carta cheia de notícias fresquinhas da minha terra.

Mas sabes? Tenho para mim qua a distância seja ela medida em Kms ou em tempo, não mata de forma alguma a amizade.Sim, se é amizade verdadeira ela cresce mesmo com as ausências.

Vai ser bom ir até casa.É sempre bom. Mima-te amigo! Mima os que te são queridos.

Um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de muito trabalho, muita saúde, muito amor e uns trocos nos bolsos.

Um abraço grande e volta logo