quinta-feira, 20 de março de 2008

Eleições Zimbabweanas

Encontrei aqui este cartoon que retrata a campanha eleitoral no Zimbabwe.

Legenda:
1. Nós morreremos por ti camarada presidente

2. Eu sei, é por isso que vos tenho feito passar fome todo esse tempo.

Meu mundo: Ainda à propósito de "NAKUDJULA HI DOGGYSTYLE"

Ainda à propósito de "NAKUDJULA HI DOGGYSTYLE"

Nakudjula Hi Doggystile

Existe o zicoísmo? (4) (prossegue)

Fenómeno Zico e Ziquista

Ainda à propósito de "NAKUDJULA HI DOGGYSTYLE"

"Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca" Carlos Serra

Ainda em torno do "Zicoismo" como como Dr Serra chama à esse "algo que socialmente tenha peso, algo que socialmente traduza aspirações, desejos, algo que possa ser tipificado como sistema, sistema que encontre em Zico uma formulação, uma saída, uma válvula de escape, uma resposta" retirei daqui as seguintes questões:

1-Que sociedade nós estamos e vivemos?
2-Quem consome e porquê a música dos Ziquistas?
3-E porquê criticamos?
4-O que estaria por detrás desses músicos?

Decidi procurar entender as questões e de alguma forma dar respostas.

1-Um entendimento claro se precisa sobre o conceito sociedade, seus elementos, dinâmicas antes de particularmente se discutir a nossa(onde estamos/vivemos). É a falta desses saberes que muitas vezes me "amordaça". Mas infelizmente ai parece estar "a casca" de tudo que procuro entender, defender, criticar e enfim. A sociedade em que vivemos seja lá qual for a definição, tem as suas especificidades, tem a sua história, seus problemas. E ao analisar o "Zicoismo" há que ter em conta todos esses aspectos mesmo que não seja à maneira profunda de um "expert". A sociedade em que vivemos produz "Zicos", produz consumidores avidos dos produtos dos "Zicos", produz críticos e apologistas dos "Zicos". Sociedade complexa essa em que vivemos.

2-Num dos comentários fiz menção do que um DJ me disse acerca da música
"NAKUDJULA HI DOGGYSTYLE" a saber " um Dj pode ser crucificado se não tiver essa música". É uma música que "esta bater". Toca nas rádios, nas discotecas, escuta-se nos chapas como disse Machel, passa nas tvs, enfim para dizer que dependendo da definição e certamente em doses diferentes, querendo ou não, gostando ou não, todos nós a consumimos. Por razões diferentes, com reações diferentes, resultados diferentes é claro. Será que devemos acreditar que os que consomem "maboazuda" agem no quotidiano segundo a música sugere? Que "dão" em tudo que é mulher e " até em albina"? Será que devemos acreditar que havendo que assim age o faz determinado ou influenciado apenas pelo "maboazuda"? Será que consumir as músicas dos "Ziquistas" significa concordar com oque dizem, "viver ao pé da letra"? Não haverá outros factores a determinarem? Se importam todos com oque dizem as músicas? Tem todos o cuidado de escutar e entender a letra das músicas? Quero sugerir que são muito os consumidores e são igualmente muitas as razões.

3-É interessante notar a "chuva" de crítica aos "Ziquistas". Nos debates que andaram por ai entre o novo e o velho, ao defenderem a necessidade de se preocupar com o conteúdo das mensagens que se passam através dessa famosa "música jovem", os da velha guarda foram acusados de o fazerem por terem perdido espaço na arena musical. A razão da crítica está penso eu, na sede de impôr "valores" sociais que são violados pelo conteúdo do produto dos "Ziquistas". Necessidade de como diz o meu grande Agry, negar expressamente "pactuar com manifestações tão medíocres como as propostas pelo Zico". A honestidade com que se critica fica no entanto "ameaçada" por falta de meios "definidos" com os quais se possa confrontar os criticados a ponto de culpabilizar-lhes por terem "atravessado a linha". É tanta relatividade que nunca se sabe se podemos ou não operar sob mesma plataforma, mesmos valores. Haver quem goste dos "Ziquistas" por exemplo, mesmo que seja uma minoria(infelizmente não é o caso). Haver quem lhes compre o CD, escute a música, passe na tv, inclua no Top sei lá, é suficiente para que se sintam animados a continuar com a "poluição moral" como alguém disse. Criticamos de forma "injusta" penso eu. Deixamos de lado todos os outros males sociais de mesma magnitude e concentramos as nossas atenções nos "Ziquistas". Se houvessem e definidos instrumentos com que criticarmos os "desvios" sócio-morais, teríamos com certeza como albergar em de forma justas todos esses males o que nos daria uma certa "credibilidade" na medida em que não nos estaríamos a basear em valores "abstractos" de conhecimento desproporcional aos integrantes da sociedade, não estaríamos a "atirar" em uns males e deixar de olhar para os outros. Podíamos ai sim incluir muitos outros "criadores" que de alguma maneira se "desviam" . Podíamos até quantificar o grau de nocividade desses produtos. A lista talvez fosse bem maior, talvez incluísse nomes dos "bem falados" músicos da velha guarda pois alguns deles de "santos" teriam muito pouco.

4- Oque estará por detrás desses músicos? Fama, dinheiro, ignorância, arrogância, falta de ética, moral, responsabilidade social. Falta de respeito pela humanidade, Visão distorcida do sexo e da sexualidade. Culto ao materialismo animal. Oque estará por detrás desses músicos? Fome de se impôr contra valores conservadores da sociedade, efeitos da globalização, falta do senso crítico e capacidade selectiva na importação de aspectos culturais alheios e até adversos aos costumes africanos. Falta de critérios reguladores das criações artísticas, capacidade da sociedade boicotar à manifestações artísticos-culturais que violam no seu todo ou em partes o sistema de valores sócio morais...
Por detrás desses músicos existe um sem números de factores reais e imaginários.
Na altura da "eclosão" do "blinguismo" procurou-se separar a Cantora Dama do Bling da cidadã Ivânia. Pretendia-se na altura defender com "argumentos" artísticos que a Dama do Bling podia-se "criar artisticamente" como bem entendesse. Usaram-se esxemplos de Madonnas, e muitos outros para defender os exageros do "Blinguismo". Onde mora a linha que separa o criador da criação? Quais são os pontos de ligação?

quarta-feira, 19 de março de 2008

O ovo ou a galinha?


Associando o comentário que recebi na minha postagem faço aqui um paralelo com essa milenar questão de quem existiu primeiro o ovo ou a galinha?
A questão é que existem correntes que defendem que a qualidade da música produzida é determinada pelos consumidores. Outros dizem que consumimos oque o mercado nos oferece e muitas vezes é por falte de alternativa. Então os Ziqos fazem a música que fazem porque a gostamos ou a gostamos porque senão não temos alternativa? De quem é então a culpa dos que produzem ou dos que consomem?

A propósito do "NAKUDJULA HI DOGGYSTYLE"


Anda de uns dias para cá um debate aqui e ali sobre a mais recente música de Ziqo "NAKUDJULA HI DOGGYSTYLE". Associado à música, debate-se também um vídeo "home made" no qual Ziqo aparece em pleno acto sexual.
Vou começar pelo vídeo.
Fiquei a saber que as imagens do vídeo foram captadas por um celular sem o conhecimento/consentimento do Ziqo. Analisando mesmo de forma descuidada as imagens "os closes" se descobre ser difícil e até mesmo impossível que Ziqo não tivesse tomado conhecimento que alguém estava registar a imagem. A vida sexual de Ziqo é privada(?) como alguém disse e nos interessa pouco ou nada, mas tratando-se de uma figura com a sua dimensão seus actos são lidos numa outra perspectiva. A ser verdade que não foi com o seu conhecimento/consentimento esperar-se-ia uma reacção por parte dele. Tenho certeza que não lhe seria difícil descobrir quem captou a imagem e a divulgou na net e assim responsabilizar os autores dessa ofensa se assim achar. A não se pronunciar poderia isso significar que mesmo não tendo consentido que o seu acto sexual fosse registado e divulgado na net, Ziqo não se sente ofendido, pelo contrário agradece pela publicidade uma vez que suas músicas são dominadas por conteúdo sexual que se encaixa no conteúdo do vidéo. Deve ser por isso que está se tornando difícil discutir a música sem incluir o tal "home made" porno vídeo.
Quanto à música, me lembro dos diversos debates sobre a música Moçambicana. Fala-se e escreveu-se bastante sobre isso. O velho vs o novo, mensagem vs animação e por ai em diante. Fica claro que enquanto não existir um "common ground" um instrumento regulador, ficaremos nessa de "se você não gosta deixa para quem gosta, se você não pode, deixa para quem pode". Como determinamos oque deve ou não ser cantado? Não bastam os nossos moralismos abstractos. Precisa-se sim algo concreto, para medir a "censurabilidade" dessa ou aquela obra artística. Ziqo canta sexo e isso é mau. Numa altura em que esforços estão sendo envidados no combate ao HIV/SIDA cuja forma principal de transmissão é o acto sexual irresponsável tal como o Ziqo parece promover nas suas músicas. Mas existem igualmente outras músicas que exaltam outros males sociais e há que encontrar plataformas "universais" para avaliar a nocividade dessas músicas. Enquanto não tivermos esses meios é bom que cada um se guie pela própria consciência. Mude de canal, desligue o rádio em fim medidas individuais. Tenho dito que Ziqo pode não ser culpado pelo conteúdo do que canta. Ele pode muito bem ser vítima da sociedade que o produziu. A sociedade pode não ser culpada por gostar oque Ziqo canta. Pode ser igualmente vítima. Oque eu nego e nego muito é que se relacione a qualidade de musica com o facto do povo gostar. Falei numa linguagem "grossa" que "uma merda não deixa de ser merda só porque todo mundo gosta"
O "estilo cão" está ai nas nossas rádios tvs, discotecas e "está a bater". Na discussão que tive ontem no Mozamigos, um DJ me disse que é "crucificável" o DJ que não tem essa música na sua colecção. "Não posso impedir que os passarinhos sobrevoem minha cabeça mas posso impedir que façam ninho nela".
Não posso impedir que Ziqo faça como cão que não tem lugar apropriado. Mas posso negar a ser como ele aliás sou ser humano e de canino não tenho nada semelhante. Porque me igualaria logo no acto sexual que sugere intimidade e privacidade? porque agiria como cachorro que não se preocupa com a consequência dos seus actos? Porque agiria como cachorro que não está nem ai para para o sentimento do seu parceiro?

sábado, 15 de março de 2008

Mbora lá relachar I


Com as noites(18.15 às 22.25) ocupadas pela vida de estudante, resta pouco tempo para descansar. 7.00-15.30(trabalho) e 18.15 às 22.25 (faculdade) de segunda a sexta, chega-se ao fim de semana com uma vontade louca de relaxar. Aliás os Sábados e Domingos passaram a ser bem mais gostosos. Achei aqui essa história que para além duma boa lição me valeu uma risadas relaxantes.

O Joãozinho achou tão excitante o que tinha visto que não se conteve e correu p'ra casa para contar, a mãe, o que tinha visto...
- Mãe, mãe, eu estava no pátio da escola, quando vi o carro do pai a ir p'ro bosque com a tia Lídia dentro... fui atrás p'ra ver e o pai tava a dar um grande beijo na tia Lídia... depois ele ajudou-a a tirar a blusa... depois a tia Lídia ajudou o papai a tirar as calças e depois a tia Lídia...
Nesse ponto a Mãe interrompeu-o e disse :
- Joãozinho, essa é uma história tão interessante, que vais guardar o resto dela p'ra contar à hora do jantar... Eu quero ver a cara do
teu pai, quando tu contares tudo isso hoje à noite.
Na hora do jantar, a Mãe pediu ao Joãozinho p'ra contar a história.
- Eu tava a brincar no pátio da escola, quando vi o carro do pai a ir p'ro bosque com a tia Lídia dentro ... fui a correr atrás p'ra ver e ele tava a dar um grande beijo na tia Lídia... depois ele ajudou-a a tirar a blusa ... aí a tia Lídia ajudou o papai a tirar as calças e depois a tia Lídia e o Pai começaram a fazer as mesmas coisas que a Mãe e o tio Jacinto faziam, quando o Pai estava na tropa ...
A Mãe desmaiou!

Moral da história : As vezes, é preciso ouvir toda a história, antes de a interrompermos ...

Chumbando a Justiça pelas próprias mãos


Queria e muito que fosse verdade que os linchamentos são simplesmente resultado do "fraco patrulhamento e soltura dos supostos malfeitores" queria que fosse solução do problema de criminalidade urbana. Queria e muito que com os tantos que já aconteceram, os malfeitores se assustassem e deixassem de o serem. As cidades fossem tranquilas. Queria. Mas a realidade mostra-se bem diferente. Casos repetem-se. Já me questionei como se explica por exemplo que o fenomeno não seja de escala nacional? Porque não se lincha em Quelimane, Nampula, Pemba, Lichinga? Porque nunca ouvimas casas em Tete, Inhambane, Gaza. É claro que não defendo o alastramento dessa prática desumana mas pretendo mostrar que existem elementos escondidos, ou estariamos a dizer que só em Maputo, Beira e Chimoio há problemas de "fraco patrulhamento e soltura dos supostos malfeitores". Só aqui a polícia é inoperante e ou se debate com falta de meios. Nem se quer podemos dizer que só nessas cidades as populações querem justiça nem que seja informal, apartir dum estado inconformado com o funcionamento da justiça formal. Não podemos dizer isso.
O problema começa por nos iludirmos que é assim tão simples a ponto de o podermos "agarrar pelos cornos" e subjugar. Acreditarmos que é um problema externo, alheio que podemos e devemos "resolver" e com a mais simples fórmula, exterminar os malfeitores.
Quem são e como se produzem esses malfeitores? Quem são e donde saem? Onde cresceram e como? Quem são os agentes da policia corruptos que soltam malfeitores, donde saíram, onde vivem e como vivem? Que relação tem connosco? Essa e outra perguntas aparentemente sem nenhuma relevância mostram que somos tão parte do problema do que parece admitirmos.
A nossa natureza humana nos manda achar um culpado para os males que nos visitam quer de forma individual ou colectiva e quanto mais distante de nós estiver esse culpado, melhor fica, mais fácil a solução. E quem é então culpado pela prevalência dos linchamentos? Se o "fraco patrulhamento e soltura dos supostos malfeitores" justifica os linchamentos, estes infelizmente estão longe de serem a solução para estancar a criminalidade nas suas mais diversas vertentes. Os repetidos casos de linchamentos mostram que os malfeitores andam por ai se multiplicando mesmo sob o risco de acabarem linchados. E então como ficamos? Vale a pena continuar? Onde se pode melhorar? Oque se pode mudar ?
Construir (ou reconstruir) a sociedade, proclamar e afirmar valores sociais, usando para tal meios de tamanha "desumanidade" é de incoerência descabida.
"Fraco patrulhamento e soltura dos supostos malfeitores" como causa únicas, dos linchamentos é no mínimo um diagnóstico simplista e precipitado que se justifica pela ânsia de reduzir esse complexo dilema, num problema facilmente gerível na mesma simplicidade com que se apedrejam ou queimam até a morte os "malfeitores". Enquanto não se encontrarem as raízes, esta-se longe de estancar os linchamentos. Precisamos nos submeter à dolorosa tarefa de avaliar o global, o total, o modelo político de vida que temos. Nos remetermos para a terapia global. Enquanto prevalecer esse "senso de justiça", não admitirmos mesmo que hipoteticamente a possibilidade de fazermos parte do problema, enquanto não admitirmos a natureza complexa do fenómeno todo esforço será no mínimo "aspirínico"