segunda-feira, 30 de junho de 2008

Carta para Dede(1)


Caro Dede!
Espero que esteja tudo bem contigo, ou quase tudo, me lembrei que nunca tudo esta bem. Vamos la ser realistas! Ca comigo vai-se indo "de pé sem cair e deitado sem dormir" como diz um grande amigo meu. A Beira vai relativamente calma, já percebeste que os linchamentos deram uma pausa pelas bandas de cá? O sururu de Manuel Pereira/Deviz Simango também abrandou esses dias.
Dede, a vontade de te escrever ou melhor de responder vinha se acumulando ao longo dos dias e hoje felizmente me desembaraço da "divida" acumulada.
Dede Mugabe foi reeleito como muitos ja esperavam. Dizem mas eu não acredito que as eleicoes correram normalmente. Dizem mas eu não acredito, que houve um grande fluxo as urnas.Dizem mas eu não acredito que obteve mais de 80 %. Bem, facto Dede é que em tempo recorde os votos foram contados, resultados anunciados, Mugabe tomou posse e rumou para Cairo como presidente legitimo do Zimbabwe e com direito a representar o pais. Eu e muitos outros queremos ver oque acontece a seguir. Fiquei a saber que Mugabe vai desafiar a que pensa que tem as mãos mais limpas que as dele. Penso Dede que seja por isso que houve o silencio que por aqui vimos em volta do Zimbabwe.
Cheguei a pensar que pelo menos nos livramos da possibilidade eminente duma guerra na região mas não Dede se não estou sendo optimista demais. Devia eu aprender com as surpresas que já vivi. "eu sei...tudo pode acontecer".
Melhor que se pode fazer é esperar para ver oque acontece. Ver como o mundo vai gerir essa situação. Qual será a acção das tantas vozes que ouvimos se levantando contra Mugabe e seu regime. Ver oque o MDC/Tsvangirai farão. Acho muito interessante que tudo isso tenha acontecido na véspera da reunião da U.A, uma boa oportunidade para se discutir Zimbabwe.

Dede se eu fosse Mugabe deixava o poder para alguém durante os próximos 5 anos e partia para uma aposentadoria menos conturbada mas e ele só Deus pode remover por isso se eu fosse Deus(felizmente não sou) o removia o mais cedo possível.
Deixa-me ficar por aqui. A semana promete.
Por falar da semana que promete vem ai a sentença do caso Albano Silva. Sentença que a semelhanca dos resultados da segunda volta das eleicoes Zimbabweanas, muita surpresa não espero trazer.Esperemos então enquanto felicitamos os espanhóis que se sagraram campeões europeus depois de décadas de jejum.
Abraços fortes do Chiveve.

O Porque da Diplomacia Silenciosa(mãos sujas):apenas uma possibilidade


Li aqui oque o jornalista Lázaro Manhica de Harare escreveu acerca das ultimas do Zimbabwe(resultados eleitorais, investidura de Mugabe, partida para Cairo) . Minha atenção ficou presa a seguinte passagem:

"Mugabe disse que estava preparado para desafiar aqueles líderes africanos que pensam que têm mãos mais limpas do que as dele"

-Mugabe reconhece que tem as mãos sujas.
-Mugabe sabe e bem que não é o único líder africano com mãos sujas.
-Mugabe defende que o facto de os outros lideres terem igualmente mãos sujas lhes tira o direito de olhar e apontar para a sujidade nas mãos de Mugabe.
-Mugabe esta pronto a "desafiar", mostrar a sujidades nas mãos de quem quiser apontar a sujidade das suas mãos.

Fico a pensar se não será por toda essa historia de "mãos sujas" que os lideres da SADC em particular a da Africa no geral, se mantiveram calados em relação a crise do Zimbabwe? Uns chegaram a ponto de afirmar que não havia crise nenhuma. Afinal ninguém quer ver a sua "sujidade" exposta? Sujidade custa quantificar. Quem tem as mãos limpas atire a primeira pedra contra Mugabe.

Roberto Mugabe: O meu presidente


Se eu fosse Zimbabweano(a) e não estivesse em algum pais vizinho procurando sobreviver seja la vendendo ou "sendo vendido", certamente que estaria no Zimbabwe. Se estando no Zimbabwe, eu não tivesse a coragem de ficar em casa no passado dia 27 de Junho certamente que iria a algum posto de votação para votar em alguma coisa. Se eu não confiasse no secretismo do voto, o medo me fizesse acreditar que minha escolha seria descoberta e eu pagaria as consequências, certamente que eu votaria em Roberto Mugabe e meu voto contribuiria para os mais de 80% com os quais Mugabe foi reeleito. Sendo assim eu estaria me derretendo de alegria gritando: Mugabe o meu presidente.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Uma Carta Para Mim(2)


Encontrei aqui mas uma carta para mim que decidi trazer ao meu mundo para o vosso "consumo".

Espero que a tua vida vá bem lá para as bandas do Chiveve. Vou indo menos mal, apenas testemunhando a passagem de mais um aniversário da nossa independência política, arrancada à Portugal, depois dos 10 anos de luta armada e, também, inspirada pela Revolução do Cravos, já lá vão 33 anos.

Nelson dizia que foi uma independência política, porque passados esses 33 anos, pouco se pode dizer no plano de independência da nossa economia. Vivemos, nós a maioria, no limiar de uma pobreza se paralelos e sem saber, afinal, qual é a alternativa a seguir, enquanto um grupo vive a abastança e ostentação.

Não queria desencantar as causas deste sofrimento dos moçambicanos que continua. Não cabe neste carta. Nem vou agora culpar a guerra que intermeiou estes anos todos, porque isso não nos ajuda em nada. Os camaradas mataram, os outros podem ter feito também. Foram todas mortes. Na morte por acção humana nunca ha' quem mata bem quem mata mal, todos matam. Lembro-me ouvir uma gíria popular naqueles dias da guerra: “guerra é guerra”. Foi o que aconteceu. Mas rezemos a Deus que esses machados de guerra não sejam desenterrados outra vez.

O que me aborrece, Nelson, é saber que mesmo aqueles que propriamente lutaram pela nossa independência; ou seja, os antigos combatentes, estão esquecidos e relegados ao esquecimento. Há um ministério sim, mas o que faz? Nada. Aliás, bem disse o general Hama Thay que, de facto, se os jovens de então não consentissem esforços, a independência não seria ganha.

Os jovens, chamados, de agora, não têm o direito aos lugares cimeiros do poder, para a ironia do seu destino. Não sei se Hama estaria a referir-se 'a OJM ou aos jovens no geral. Fiquei ‘burro’, Nelson, pois Hama disse coisas que os jovens de hoje não vão gostar. Entre as palavras que ele vociferou constam a ‘bebedeira’, ‘alhearem-se em coisas secundárias’ e por aí fora entre os jovens. Nem todos os jovens fazem isso que ele disse! E mais grave do que isso, ele sustenta que os jovens de agora podem até vender este país. Nelson, juro que fiquei boquiaberto!

Afinal, quem vende ou vendeu este país? Faço minhas as tuas legitimas perguntas na Oficina algures. Não sei se a tocar-se nessa ferida a Frelimo está procura da cura para os seus problemas. Condenar os jovens por aquilo que não fizeram é, a meu ver, lisonjeiro da parte do General e da própria Frelimo! Aos camaradas pesa o fardo do mais ignóbil crime de delapidação dos recursos deste país, com braços exteriores.

Podia me alongar mais Nelson, mas quero te deixar na festa que ainda continua. A festa do pensar nos nossos futuros. Quem sabe se, desta maneira, não estaremos a reflectir de como contradizer a ingrime decida rumo ao ostracismo, e ver 33 anos depois Moçambique de lés-a-lés desenvolvido, de democracia plena e belo.

Saúdo-te.

Dedé

terça-feira, 24 de junho de 2008

ONU declara que é «impossível» a realização de eleições livres e justas: A ONU "diz" e o Zimbabwe "desdiz"










Nova Iorque - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou na segunda-feira que devido aos actos de violência contra a oposição, não será possível realizar eleições livres e justas no Zimbabué.
«O Conselho de Segurança (CS) lamenta que a campanha de violência e de restrições à oposição tornaram impossível uma eleição livre e justa a ser realizada no dia 27 de Junho», afirma a entidade num comunicado formal que teve também o apoio da África do Sul, da China e da Rússia, nações que antes haviam sido contrárias a permitir que o CS se manifestasse sobre a crise no Zimbabué.

O Conselho condena ainda «o comportamento do governo de negar aos opositores políticos o direito de fazer sua campanha livremente». «Essas violências e restrições tornam impossível a realização de uma eleição livre e equitativa em 27 de Junho», destaca o texto, lido pelo embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, que preside o Conselho no mês de Junho.

O representante do Zimbabué na ONU disse que a segunda volta das eleições acontecerá, apesar do comunicado da entidade. «Pelo que sabemos as eleições serão realizadas na sexta-feira», disse Boniface Chidyausiku aos repórteres.

Estamos Juntos(?)...nada mal(?)... tudo bom(?)...


Recebi essa manha no meu email, o texto que se segue e decidi trazer aqui para o meu mundo. O titulo é meu o original dizia: "A pública mCel está a entregar o coelho ao bandido?...aqui se não há... cheira gato!"

"A pública mCel está a entregar o coelho ao bandido?...aqui se não há cheira gato!
Coisas estranhas...e parece que está tudo bom.
Um dia fiquei a saber que o PCA da mCel, empresa pública de telefonia móvel havia sido exonerado e substituido. Fiquei de boca aberta porque conheço a máxima que diz em equipa ganhadora não se mexe. De facto todo mundo sabe que a empresa pública moçambicana de telefonia móvel vinha dando um "baile" a sua rival privada de origem sul africana. E isso era bom porque significava que o Estado ao invez de estar sempre a olhar para os nossos salários para nos descontar e se financiar ja tinha outras fontes públicas bem rentáveis onde podia "pegar o coelho". Recentemente reparei também que de noite para dia a agência publicitária que trabalhava com a mCel, a Golo, havia trocado de lado passando a fazer os "spots tudo-bom da vodacom" e a DDB que era a agência da Vodacom passou a trabalhar com a mCel e transpareceu que esta tudo bom. Eu me pergunto: alguém quer tramar mCel? Quem? Porque?
Como é que se tira um PCA que mostrou serviço e colocou a mCel como uma empresa altamente competitiva e lucrativa? Que motivo plausível pode justificar a troca duma agencia que mostrou serviço e ajudou a mcel a ter os milhões de clientes por outra que não conseguiu ajudar a sua rival a deixar de ver estrelas? Não sei nada do que está por detrás do que se esta a passar... eu estou apenas a me questionar com base em factos estranhos visíveis que só não vê quem teima em ser cego.
Um dia vi e ouvi um responsável da mcel na Stv a dizer que a mCel irria apagar seus spots nos murros e pinta-los como estavam originalmente como forma de contribuir para devolução da beleza das urbes no cumprimento do seu papel social. Estranha mas boa decisão e boa ideia...também achei que era demais e que a urbe estava a virar um panflecto da mcel. Porém, um dia vinha conduzindo e vi uma cena caricata na zona do hospital José Macamo...os muros que antes estavam pintados de amarelo e com escrita "estamos juntos" de repente estavam a mudar de cor para azul, e com a escrita "está tudo bom". Quer dizer ao invés de se retirar os amarelos berrantes e se devolver a pintura original aos murros, parece que a mcel está a ceder voluntariamente as paredes para a sua rival pinta-las de azul...isto não parece estar tudo bom.
Semana passada...eu ia a passar pela portagem e reparei que havia uma equipa a remover as placas publicitárias da mCel...eu disse para mim. A mcel quer reagir a crescente robustez da companhia azul. Pensei que fossem colocar ali outro painel, maior e mais sofisticado para mostrar quem é patrão. Enganei-me. Dois dias depois os painéis publicitários da mCel na portagem haviam sido removidos e substituídos pelos painéis azuis da Vodacom...o que é isso? O que esta acontecer com a empresa pública de telefonia móvel? Quem quer tramar a mcel? A mcel também parece não se importar aliás, até parece que está a colaborar e "esta tudo bom". Outro dia recebo uma chamada de um amigo que trabalha no sector público e de repente verifiquei que seu numero embora mantivesse a extensão havia trocado de prefixo. Perguntei se havia visto alguma vantagem em trocar de prefixo e respondeu...é cell do serviço...mandaram-nos trocar...é tudo.
Eu não tenho nada contra o aumento da agressividade e robustez da empresa privada de telefonia móvel nem questiono seus métodos... É uma empresa e o mercado é uma selva em que cada um pega o seu coelho da forma que melhor lhe convier. O que me incomoda é essa sensação de a empresa publica parece ter decidido colaborar ou deixar a outra andar cedendo seus espaços de imagem e coelhos para a rival...mas faria isso a favor de que e de quem? Cavalheirismo empresarial?
O que me preocupa é que a mCel como empresa publica é também minha empresa porque sou contribuinte neste país. Mensalmente, querendo como não, o estado tira parte de meu suor (salário em forma de IRPS e INSS) para engrossar o seu orçamento. Se as empresas publicas forem muito lucrativas o estado poderá reduzir ,ou pelo menos manter, a pressão sobre o meu salário. Mas se as empresas públicas forem ineficientes que vai pagar depois a factura somos nós os contribuintes que poderemos sofrer cargas fiscais para financiar o Estado. Não é assim que pagamos a factura da TVM, RM etc?
Alias num jornal domingo de umas semanas atrás em primeira pagina denunciava esquemas de drenagem de biliões na mCel...o nosso dinheiro esá a ser roubado e a nossa empresa esta a ser sabotada.
Para o caso da mCel...pela forma como as coisas estranhas estão a acontecer até parece que ela mesma esta a colaborara para que "tudo fique bom". Parece que a mCel está interessada em reduzir sua visibilidade, protagonismo e ceder os espaço de imagem a concorrentes. Porque? Para que? Tomara que eu esteja enganado...mas com tantas "coincidências em série" até um ignorante não precisa fazer esforço para começar a ver gatos em vez de coelhos. Aliás ja é tema de muita papo na rua e no chapa....

segunda-feira, 23 de junho de 2008

TVM: "quem te conhece não te esquece jamais"


Li aqui um extenso relato do que recentemente se passou com o musico Azagaia tudo relacionado ao programa televisivo Moçambique em Concerto. Me lembrei que depois de Doppaz ter dito numa das edições do programa, que não tirava chapéu para Azagaia e alguem ter "exigido" ao apresentador para dar uma oportunidade de Azagaia estar no programa, Gabriel Júnior prometera convidar Azagaia para o seu programa, penso que foi por isso que o fez.
Azagaia diz que
Gabriel Júnior, dirigiu-se a ele "muito amavelmente " , diz que se espantou pelo convite e apresenta as razoes: "eu e o Estado Moçambicano não morremos de amores um pelo outro (a nossa novela já vai a muitos capítulos) e a TVM é um canal controlado pelo estado". Se se tratava duma mera insinuação, uma especulação, ficou claramente provado nesse recente incidente que a TVM e Azagaia não "cabem no mesmo prato".
Azagaia achou interessante que Gabriel não tivesse procurado "fazer-lhe a cabeça" . Segundo Júnior a imagem de Azagaia iria dividir as opiniões dos telespectadores e ele chama isso de "risco" que ele corria em levar Azagaia ao programa, mas estava "tranquilo" porque "já tinha autorização da directora de programas e que estavam todas as condições criadas".
Quando parece que realmente "estavam todas as condições criadas", eis que alguém se "lembra" que Azagaia nao deve ir ao programa por razoes óbvias. Mas um outro bom(?) tem de ser apresentado, "um dos vários administradores da TVM que devia dar a permissão para tua ida ao programa, depois de já ter passado duas vezes o spot publicitário a anunciar-te, exigiu que se cancelasse a publicidade e a tua ida, porque diz que não foi consultado". Só porque não foi consultado? Ou porque o musico em causa era Azagaia. S
empre se consulta a esse administrador quando um musico vai ao programa? Se sim porque não se consultou desta vez em relação ao Azagaia? Logo Azagaia que tem suas musicas banidas da "nossa televisão". Se não porque se devia consultar em relação ao Azagaia? Tem de se fazer "uma carta especialmente para ele"?. Quem manda em quem por la na "nossa televisão". A "talzinha" da directora de programa deve ser com o tal do PCA do INSS que mandava em tudo e em coisa nenhuma e sabia coisa nenhuma sobre a instituição em que mandava.
Gabriel, provavelmente movido de "remorso" promete fazer tudo para que Azagaia vá na edição seguinte, mas parece que não passam de promessas, ou pretendia Gabriel mostrar que culpa não tem ao não levar Azagaia ao programa?
Azagaia partiu para cidade de Porto onde vai participar num grande festival, antes que as promessas de Gabriel Júnior fossem cumpridas. Vamos ver oque acontece assim que ele regressar. Mas eu no lugar dele "mandava passear" e para sempre a TVM e "tudo que ela representa" afinal nem precisou de ter os seus trabalhos na "nossa televisão" para ter chegado onde chegou.
Ao terminar Azagaia deixa ficar umas questões: "
porquê não fui convidado para o programa da edição seguinte conforme o prometido? Será este programa é realmente merecedor do selo “Made in Mozambique”? Serei eu estrangeiro do meu próprio país? Será isto censura? Não basta não passarem os meu video clipes?
Eu(Nelson) me preocupei com tudo isso por ter acontecido com a TVM, a dita "nossa televisão", televisão dos 18 milhões de Moçambicanos, televisão estatal, a que vive dos impostos de Azagaia e de outros tantos "indesejáveis" que andam por este vasto Moçambique. Pode ter sido surpresa para muitos, para os que não conhecem la muito bem a "nossa televisão" mas para mim nem tanto pois:
TVM, QUEM TE CONHECE NÃO TE ESQUECE JAMAIS.