Se eu fosse Zimbabweano(a) e não estivesse em algum pais vizinho procurando sobreviver seja la vendendo ou "sendo vendido", certamente que estaria no Zimbabwe. Se estando no Zimbabwe, eu não tivesse a coragem de ficar em casa no passado dia 27 de Junho certamente que iria a algum posto de votação para votar em alguma coisa. Se eu não confiasse no secretismo do voto, o medo me fizesse acreditar que minha escolha seria descoberta e eu pagaria as consequências, certamente que eu votaria em Roberto Mugabe e meu voto contribuiria para os mais de 80% com os quais Mugabe foi reeleito. Sendo assim eu estaria me derretendo de alegria gritando: Mugabe o meu presidente.
Meu mundo é pequeno,é do tamanho do coração... Meu mundo é grande.. Vivem mundos dentro dele Cada dia é um mundo Cada mundo é um dia As vidas com que cruzo Os cruzamentos que vivo São todos mundos dentro do meu mundo... Meu mundo não tem nada interessante... É meu....
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Roberto Mugabe: O meu presidente
Se eu fosse Zimbabweano(a) e não estivesse em algum pais vizinho procurando sobreviver seja la vendendo ou "sendo vendido", certamente que estaria no Zimbabwe. Se estando no Zimbabwe, eu não tivesse a coragem de ficar em casa no passado dia 27 de Junho certamente que iria a algum posto de votação para votar em alguma coisa. Se eu não confiasse no secretismo do voto, o medo me fizesse acreditar que minha escolha seria descoberta e eu pagaria as consequências, certamente que eu votaria em Roberto Mugabe e meu voto contribuiria para os mais de 80% com os quais Mugabe foi reeleito. Sendo assim eu estaria me derretendo de alegria gritando: Mugabe o meu presidente.
terça-feira, 24 de junho de 2008
ONU declara que é «impossível» a realização de eleições livres e justas: A ONU "diz" e o Zimbabwe "desdiz"
Nova Iorque - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou na segunda-feira que devido aos actos de violência contra a oposição, não será possível realizar eleições livres e justas no Zimbabué. |
«O Conselho de Segurança (CS) lamenta que a campanha de violência e de restrições à oposição tornaram impossível uma eleição livre e justa a ser realizada no dia 27 de Junho», afirma a entidade num comunicado formal que teve também o apoio da África do Sul, da China e da Rússia, nações que antes haviam sido contrárias a permitir que o CS se manifestasse sobre a crise no Zimbabué. O Conselho condena ainda «o comportamento do governo de negar aos opositores políticos o direito de fazer sua campanha livremente». «Essas violências e restrições tornam impossível a realização de uma eleição livre e equitativa em 27 de Junho», destaca o texto, lido pelo embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, que preside o Conselho no mês de Junho. O representante do Zimbabué na ONU disse que a segunda volta das eleições acontecerá, apesar do comunicado da entidade. «Pelo que sabemos as eleições serão realizadas na sexta-feira», disse Boniface Chidyausiku aos repórteres. |
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Zimbabwe é dos Zimbabweanos...
Em Jeito da solidariedade para com os Zimbabweanos, lamentamos, choramos, esperneamos assinamos cartas de protesto, mas em ultima instância cabe aos Zimbabweanos decidirem através do voto oque desejam. Acabar e para sempre com a "era Mugabe". Não foi Mugabe que reivindica "vitalicidade" que libertou Zimbabwe das mãos do colonialismo, foram os Zimbabweanos. Não foram os generais que hoje apoiam incondicionalmente(?) Mugabe, que libertaram Zimbabwe das mãos do colonialismo, foram os Zimbabweanos. Zimbabweanos podem sim acabar com a desgraça a que Mugabe lhes votou. podem acabar com a vergonha com suas mulheres vivem nos países vizinhos. Podem e devem!
Contar com a SADC, UA, os lideres Africanos, contar com gente como Thabo Mbeki, Tomas Salomão para os quais não nada de errado no Zimbabwe, já mostrou que não vai ajudar em nada. Falta mesmo o povo apoderar-se da ultima chance que lhe resta, o voto do dia 27 de Junho, para tirar e para longe Mugabe e os seus. Vamos fazer isso povo Zimbabweanos! Vamos Expulsar esse mal que se chama Mugabe!
terça-feira, 17 de junho de 2008
OQUE SIGNIFICA GUERRA NO ZIMBABWE?
Depois de ter ganho a primeira volta das eleições, existe toda uma probabilidade de Morgan Tsivangirai voltar a ganhar a segunda volta. A acontecer, segundo Mugabe, os veterano pegam em armas e zás!!! Guerra no Zimbabwe.
Parece uma grande brincadeira. Mas terá um preço elevado não só para o Zimbabwe. Fiquei pensando oque significaria uma guerra dessa natureza.
Morreria-se, e muito claro, essa seria a primeira consequência. E os vizinhos que sempre acharam que nada há no Zimbabwe que esta "tudo bom", não teriam dessa vez como fechar os olhos e os ouvidos para uma realidade que seria evidente demais. A insegurança se alastraria para a região toda e ninguém ia querer vir para o mundial de 2010 na África do Sul. Perdíamos a oportunidade de ter o mundial na África e sendo insegurança o motivo, a FIFA passaria a "pensar" duas vezes todas as outras vezes que futuramente a África se candidatar para organizar o mundial. Estaria em causa a tão propalada integração regional e sofreriam todas as economias da região. Os investimentos estrangeiros seriam feito com reticencias pondo em causa um monte de "sonhos" de desenvolvimento económico. A situação politica da região seria no seu todo afectada. As eleições a se realizarem na Angola, Moçambique e África do Sul, seriam de alguma maneira afectada. Perdia toda a credibilidade a SADC que apesar de todos avisos, pouco ou nada fez para conter a situação. Perderia credibilidade a UA que teve uma boa oportunidade para mostrar para que serve. Perderia credibilidade o presidente sul africano, Thabo Mbeki, o secretario geral da SADC Tomas Salomão que apesar de todas evidencias vieram e diversas vezes a firmar que estava tudo bem no Zimbabwe. Enfim, estaríamos diante duma situação que foi criada, alimentada, assistida na maior passividade e seria sem vergonha na cara que viríamos a lamentar. Vidas já se terão perdido, economias destruídas, decisões irreversível já se terão tomadas.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
MUGABE VAI A GUERRA SE PERDE...mesmo assim nada de crise!
Para alem do empate dos mambas frente a selecção do Madagáscar, empate segundo muitos "fabricado" pelo arbitro sul africano e segundo outros ainda, movido por sentimentos xenófobos, a grande noticia do final do semana tem a ver com declarações de Mugabe que promete guerra no caso de perder as eleições.
Pergunto para mim oque isso significa para o "crisomentro"(instrumento para medição de crise). Sera que Mbeki , Tomas Salomão e tantos outros ainda acham que esta "tudo bom" no Zimbabwe?. Ainda acha Guebuza que não se deve "intrometer" nos assuntos internos do Zimbabwe? Vai alguém se surpreender com sangue derramado?
Pergunto para mim oque isso significa para o "crisomentro"(instrumento para medição de crise). Sera que Mbeki , Tomas Salomão e tantos outros ainda acham que esta "tudo bom" no Zimbabwe?. Ainda acha Guebuza que não se deve "intrometer" nos assuntos internos do Zimbabwe? Vai alguém se surpreender com sangue derramado?
domingo, 8 de junho de 2008
QUEM NÃO VAI SE SUPREENDER?
Em relação aos acontecimentos que se vivem ultimamente tem sido mania dos governantes, talves em jeito de justificação, dizerem que foi uma surpresa, que não sabiam de nada, que não podiam prever. Dizendo isso se sentem ilibados. Fico a pensar na desonestidade que afirmações como essas representam.
Parei hoje para rapidamente "pensar" em algumas surpresas que nos esperam.
Quem não vai se surpreender se Mugabe ganhar a segunda volta das eleições? Quem nao vai se surpreender de Tsangirai ganhar? Quem não vai-se surpreender se mesmo perdendo Mugabe não querer deixar o poder? A esposa já avisou mas há quem vai se suprender. Quem não vai se surpreender se como forma de se manter no poder Mugabe "forcar" um GUN? Quem não vai se surpreender se Tsivangirai sofrer atentados? Se instalar-se uma crise pós eleitoral do tipo Quénia? Quem não vai se surpreender se Zimbabweanos em massas inundarem as cidades Moçambicanas(já temos tantos por cá)? Quem não vai se surpreender se os oficiais do exercito, leais a Mugabe, dificultarem a vida do MDC e Tsivangirai no poder?
Eu não me vou surpreender, pois existem sinais sobrando que mostram com relativa clareza que estas e ou outras situações podem fazer parte do futuro próximo do Zimbabwe e consequentemente da região. Eu não vou querer ouvir "desculpas esfarrapadas" sejam la de quem for. Depois de por muitas vezes o PR ter nos dito que "estamos a trabalhar"(frase que detesto) e ter dito também que "não podemos interferir nos assuntos internos" não vou aceitar que me venham dizer que foi surpresa.
Parei hoje para rapidamente "pensar" em algumas surpresas que nos esperam.
Quem não vai se surpreender se Mugabe ganhar a segunda volta das eleições? Quem nao vai se surpreender de Tsangirai ganhar? Quem não vai-se surpreender se mesmo perdendo Mugabe não querer deixar o poder? A esposa já avisou mas há quem vai se suprender. Quem não vai se surpreender se como forma de se manter no poder Mugabe "forcar" um GUN? Quem não vai se surpreender se Tsivangirai sofrer atentados? Se instalar-se uma crise pós eleitoral do tipo Quénia? Quem não vai se surpreender se Zimbabweanos em massas inundarem as cidades Moçambicanas(já temos tantos por cá)? Quem não vai se surpreender se os oficiais do exercito, leais a Mugabe, dificultarem a vida do MDC e Tsivangirai no poder?
Eu não me vou surpreender, pois existem sinais sobrando que mostram com relativa clareza que estas e ou outras situações podem fazer parte do futuro próximo do Zimbabwe e consequentemente da região. Eu não vou querer ouvir "desculpas esfarrapadas" sejam la de quem for. Depois de por muitas vezes o PR ter nos dito que "estamos a trabalhar"(frase que detesto) e ter dito também que "não podemos interferir nos assuntos internos" não vou aceitar que me venham dizer que foi surpresa.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
MUGABE É APENAS UM DOS BONS ALUNOS DA POLÍTICA OCIDENTAL: assim pensa Gustavo Mavie
MUGABE É APENAS UM DOS BONS ALUNOS DA POLÍTICA OCIDENTAL
Por: Gustavo Mavie
Se o desfecho que o governo de Robert Mugabe vier a dar ao enigma das eleições realizadas no seu país a 29 de Março último for, definitivamente, o de renegá-las mesmo que se venha provar que as perdeu, como tudo indica ser essa a sua intenção, não há duvida que será apenas mais um político que se irá impor contra a vontade da maioria, expressa na boca das urnas, com a diferença de que, desta vez, quem estará por detrás dessa rejeição, não desfruta da bênção e muito menos do apoio e da protecção das poderosas nações ocidentais.
Com efeito, e para o benefício dos que não sabem ou têm memória curta, já antes deste caso, houve outros povos que viram as suas vontades anuladas, como foi o caso da vitória da Frente Islâmica, na Argélia, que tinha sido a preferência do povo daquele pais numa das eleições realizadas na década passada naquele país, mas que o governo argelino dessa altura preferiu ir à guerra com aquele partido islamista, que defende o fundamentalismo. Há que recordar que para tomar essa decisão de anular e considerar nula e sem efeito essa vontade da maioria dos argelinos, o mesmo governo argelino teve a bênção e o apoio camuflado das mesmas nações ocidentais, que viram nisso como correcto, dado que para eles, todos os fundamentalistas são uma espécie de células ou agências activas dos terroristas de bin Laden.
Do rol de eleições anuladas ou melhor, asfixiadas, e cujos vencedores se viram hostilizados e combatidos por todo o tipo de armas pelas nações ocidentais, afigura-se, em ponto grande, a vitória do Hamas na Palestina como o caso mais gritante, e que a menos que a memória nos falhe, não há paralelismo na historia da humanidade.
Como nós todos nos recordamos, após a vitória do Hamas, os mesmos países ocidentais que tanto se arvoram de campeões da democracia, seus defensores e promotores acérrimos, como se pode ver agora no Iraque - onde os EUA e o punhado de seus aliados têm estado a matar impiedosamente todos os que se opõem à sua democracia - aplicaram sanções àquela formação política palestiniana para inviabilizar a sua governação. E inviabilizaram mesmo porque como dizia Mandela durante a primeira Cimeira Social realizada no ano de 1995 em Estocolmo, está mais do que provado que não se pode ser bom governante, ou ter-se uma democracia em bom estado de saúde, quando se tem um povo sem nada para comer e hospitais sem medicamentos. Como sabemos, os EUA aplicaram ao Hamas sanções selectivas, especialmente de raiz financeira mas que nem com isso deixaram de afectar o povo palestino, tal como o fazem agora à ZANU-FP e aos seus líderes, porque para eles, aquela formação política palestiniana é um bando de extremistas e terroristas que ameaça a civilização ocidental, não obstante tenha sido democraticamente eleita pelo seu povo. Com essas sanções, os EUA e os seus aliados quiseram dizer com elas que não estavam de acordo com a sua opção em termos do partido que deve dirigir os seus destinos.
Quer dizer, para eles, é legítimo e justificado a todas as luzes negar as opções políticas dos povos, proclamadas através da votação nas urnas, mas já negam esse direito aos outros, como está acontecendo agora com Mugabe.
Bem vista a coisa, deviam entender que tal como eles, os outros governos os seus próprios inimigos, que portanto não os pode reconhecer de forma alguma o direito de desfrutar do poder, ou de os substituir na liderança do seu país. Ora, se os EUA e todos os seus aliados não aceitaram que a Frente Islâmica ou, já agora, o Hamas, governasse, como era a vontade da maioria dos argelinos e palestinianos, porque é que Mugabe não pode negar dar o poder ao MDC e a Morgan Tchvangirai, em função da animosidade que nutre deles ou do que ele acha que são, que é que são uma criação dos inimigos do Zimbabwe, tanto mais que nunca escondeu. E não valerá de nada tentar questionar o método que um certo governo usa para definir os seus inimigos, porque, como Mandela disse uma vez, os inimigos de uns, podem ser amigos de outros e vice-versa, daí que ele tenha se recusado aceitar os apelos de certos países ocidentais que queriam que ele se abdicasse da sua amizade com certos líderes que neste caso o Ocidente não os quer ver mesmo que estejam pintados a ouro, como o Coronel Khadafy e Fidel Castro, como era a vontade de certos países ocidentais. É que esta coisa de se ser amigo ou inimigo deste ou daquele é complicado. Por exemplo, durante as lutas pelas independências aqui na África Austral, o Ocidente alinhou com os regimes colonialistas e racistas, indo ao ponto de os fornecer as armas com que combatiam os movimentos de libertação, porque os via como agentes do terrorismo e da expansão do comunismo internacional.
Ora, vai daí que, do mesmo modo que para o Ocidente foi um erro que argelinos e palestinianos tenham votado pela Frente Islâmica ou Hamas, também Mugabe pode estar a considerar que os seus compatriotas se enganaram e votaram no MDC. Tanto mais que nem sempre a maioria tem razão. É só ver como é que o povo da Guiné-Bissau elegeu um Kumba Yalá. Ou será que tais países ocidentais não dão validade à célebre frase da então Primeira-Ministra britânica, Margareth Thatcher, de que nem sempre o que tem o apoio da maioria é correcto? É preciso ver que uma das provas de que ela tinha e tem razão, é que mesmo Hitler que foi eleito democraticamente, ele desencadeou a pior guerra mundial de que já se registou na face da Terra. E porque é que tem que ser Mugabe a respeitar religiosamente a vontade da maioria do seu povo, se os EUA e todo o Ocidente não respeitaram a vontade dos palestinos.
Se os EUA não aprovaram a vontade dos palestinianos, porque entendem que o Hamas é uma organização terrorista, caso Mugabe venha a negar de vez entregar o poder ao MDC, ou partilhá-lo com este movimento, deviam aceitar essa sua opção, porque para ele também o MDC e o seu líder não são uma oposição legítima, mas sim, uma criação e prolongamento do imperialismo, como bem o vinca ele numa entrevista que deu ao NewAfrican, e que foi publicado na sua edição de Maio do ano passado.
Para ele, é esse imperialismo que tem imposto ao seu país sanções económicas veladas, que acabaram provocando o descontentamento da população, com a intenção de levá-la a votar na oposição como parece ser o caso agora. De resto, ele pode ter razão, já que todo o mundo sabe que regra geral, o propósito das sanções é provocar o descontentamento no seio das populações, para que durante as eleições vote contra o governo do dia, para que possa derrubar, sem que se recorra à força das armas.
Dito doutro modo, as sanções são a arma preferida do Ocidente para derrubar um regime que eles não gostam e que se sujeita a eleições periódicas, como é o caso do Mugabe. Onde não há eleições, este tipo armas não costuma ser bem sucedida, dai que se recorra à força das armas, como foi o caso do Iraque onde as sanções não surtiram o desfecho que se esperava, que era derrubar Saddam Hussein para se ter o petróleo que ele não deixava ser explorado ao preço da banana. Como se viu que as sanções não resultavam, forjou-se um facto e acusou-se lhe de ter armas de destruição massiva, e se lhe derrubou com a força das armas. Para não correrem o risco dele voltar um dia ao poder, executaram-no, mesmo depois de se provar que não tinha armas nenhumas e muito menos ligações com a Al Qaeda.
NEGAR O DIREITO E OPÇÕES DOS POVOS É UMA VELHA PRÁTICA DO OCIDENTE
Na verdade, o terem negado reconhecer a opção pelo Hamas da maioria dos palestinianos ou da Frente Islâmica pelos argelinos foi uma continuação da sua velha prática do Ocidente de se opor a tudo o que não serve os seus interesses. Já antes, as nações ocidentais mostraram-se contra a luta que os então povos colonizados travavam contra os países que os colonizavam, como foi o caso de nós moçambicanos.
Por exemplo, quando o povo sul-africano lutava contra o apartheid, e o seu líder carismático Nelson Mandela minguava na cadeia, os países ocidentais forneciam armas àquele regime, alegando que o faziam porque estava lutando contra a expansão do comunismo internacional.
Aliás, o mesmo Mandela viria, após sair da cadeia, elogiar Cuba num discurso que pronunciou quando da visita de Fidel à Africa do Sul, castigando na altura todos os que insistiam que ele renegasse a amizade que mantinha com o líder cubano e o seu país da seguinte maneira: muitas pessoas, muitos países, incluindo muitos poderosos, têm nos instado a condenar a supressão dos direitos humanos em Cuba. A todos temos recordado que têm uma memória curta. Isto porque quando batalhávamos contra o apartheid, contra na opressão racista, os mesmos países apoiavam o regime do apartheid – um regime que apenas representava 14 por cento da população, enquanto a maioria do povo do país não tinha nenhum direito. Eles apoiaram o regime do apartheid. E nós acabamos combatendo com sucesso o regime com o apoio de Cuba e outras forças progressistas, disse Mandela em tom sereno e naquela sua voz vibrante, antes de vincar que agora eles querem que sejamos apenas seus amigos, indo ao ponto de se darem ao luxo de nos instar a renunciarmos aqueles povos que nos ajudaram a fazer da nossa vitória possível.
Tal como o dizia nesse discurso Mandela, é curioso notar que os mesmos países ocidentais que hoje fazem barulho para que Mugabe aceite a derrota tangencial neste caso que parece ter sofrido, não param também de lançar criticas aos restantes países da região, acusando-os de nada fazer para forçar o líder zimbabweano a ceder o poder.
O que eles querem, é que os líderes da região renunciem a amizade que têm com o Mugabe que com eles marcharam nas mesmas fileiras no tal tempo em que os povos da região era tratados como bestas para carga, e por isso mesmo lutavam pelas suas independências ou pela erradicação dos regimes racistas. Não aceitam que os outros tenham os seus amigos e aliados, tal como eles os têm e nunca os abandonam em momento algum, como sabem defendê-los a todo o custo, como o têm feito em relação a Israel, não obstante esteja a ocupar há mais de 60 anos as terras palestinas, e esteja a matar todos os que são contra essa ocupação, tal como os EUA têm estado a matar todos os iraquianos que são contra a ocupação do seu país.
Como bem o diz Mugabe, os ocidentais pecam por negar aos outros povos, o que eles mesmo fazem, como quando eles teimam em manter os arsenais nucleares, mas já não aceitem que outros países as tenham também.
Como já disse num dos artigos, esta atitude do Ocidente de negar aos outros o que eles fazem e praticam com a maior das naturalidades, leva-me a compará-los àqueles mulherengos que não toleram que as suas esposas tenham também amantes. Eles podem se opor à vitória do Hamas, como à eleição de um Allende que acabaram apoiando a sua morte trágica pelo regime de Pinochet em 1973, para não implantar o comunismo no Chile, mas já Mugabe não pode se opor a ascenção ao poder de um partido que, para ele, ´´não é mais do que uma criação de Tony Blair e do seu aliado George Bush´´, para que seja alternativa aos seu governo, de modo a que promova no Zimbabwe os interesses da Grã-Bretanha e dos EUA.
PARA MUGABE O SEU PAÍS ESTÁ EM PÉ DE GUERRA CONTRA O OCIDENTE
O que poderá levar Mugabe a fincar os pés, e a optar por não ceder o poder que ainda detém, é que ele entende que o seu país está sendo alvo de duas guerras que visam derrubá-lo a si e ao se governo – que é a guerra económica, que se traduz em sanções do tipo bloqueio como se tem imposto a Cuba, e que, como se sabe, provoca a carência de quase tudo, e a guerra psicológica, que visa moldar um pensamento anti-Mugabe na mente dos zimbabweanos, para que pensem em função da perspectiva que o Ocidente quer que pensem.
Lendo o que Mugabe tem dito, tudo indica que ele acredita que o momento em que o país vive não permite que todos os zimbabweanos pensem e analisem tudo o que se está passando de modo lógico e correcto, daí que ele poderá preferir anular o resultado eleitoral, uma vez que parece estar convencido que se está em presença da tal maioria que não está correcta.
Aliás, pouco antes das eleições de 29 Março último, Mugabe já havia deixado claro que nunca iria entregar o poder à oposição, porque, para ele, esta mesma oposição foi criada de fora para agir como Pôncios Pilatos.
Ora, se para Mugabe tudo se resume numa guerra económica e psicológica, o mundo deve estar preparado a vê-lo lutar até ao fim, porque como se diz, os homens se tornam mais obstinadas e teimosas à medida que a sua idade avança. E Mugabe conta agora com a respeitada idade de 84 anos, o que certamente lhe permitiu ver tanta coisa boa e, acima de tudo, ruim, porque, infelizmente, é o que mais abunda no mundo, incluindo o insólito ocorrido nos EUA, em que Bush teve menos voto popular, mas que se apoderou do poder na sua primeira eleição, quando a maioria dos americanos havia optado por Al Gore. São estas e outras coisas que deverão levar o velho Mugabe a dizer no seu apurado inglês frases como esta: if Mr Bush did assume the presidency withouth having been voted for by the majority of his people, why should I not do the same as well, o que, em português, significa que ´´se o senhor Bush assumiu a presidência sem ter sido votado pela maioria do seu povo, porque é que eu não posso fazer o mesmo!Esta é a questão que se deve tomar em consideração pelos que acham que Mugabe deve entregar o poder ou reconhecer a derrota. Não é coisa fácil para ninguém, incluindo para os que se arvoram de pais da democracia. Que o diga Kibak e Bush que tiveram de dar o pontapé ao voto popular… Para mim, Mugabe é apenas um bom aluno do Ocidente. Para tal, basta ver como ele assimilou a língua inglesa.
gustavomavie@gmail.com
Nota: Para mim Gustavo Mavie se tornou suspeito de falar de Zimbabwe apartir do inconsistente artigo que escreveu na altura da cimeira Euro Africana quando se discutia a ida ou não de Mugabe a Lisboa, a presença ou não do Gordon Brown. Baseando-se numa sondagem da BBC muito mal interpretada, Mavie disse que se o Mundo votasse, Mugabe derrotava esmagadoramente a Brown. Neste artigo Mavie usa um exemplo quanto a mim ridiculo quando fala de Hitler.
Por: Gustavo Mavie
Se o desfecho que o governo de Robert Mugabe vier a dar ao enigma das eleições realizadas no seu país a 29 de Março último for, definitivamente, o de renegá-las mesmo que se venha provar que as perdeu, como tudo indica ser essa a sua intenção, não há duvida que será apenas mais um político que se irá impor contra a vontade da maioria, expressa na boca das urnas, com a diferença de que, desta vez, quem estará por detrás dessa rejeição, não desfruta da bênção e muito menos do apoio e da protecção das poderosas nações ocidentais.
Com efeito, e para o benefício dos que não sabem ou têm memória curta, já antes deste caso, houve outros povos que viram as suas vontades anuladas, como foi o caso da vitória da Frente Islâmica, na Argélia, que tinha sido a preferência do povo daquele pais numa das eleições realizadas na década passada naquele país, mas que o governo argelino dessa altura preferiu ir à guerra com aquele partido islamista, que defende o fundamentalismo. Há que recordar que para tomar essa decisão de anular e considerar nula e sem efeito essa vontade da maioria dos argelinos, o mesmo governo argelino teve a bênção e o apoio camuflado das mesmas nações ocidentais, que viram nisso como correcto, dado que para eles, todos os fundamentalistas são uma espécie de células ou agências activas dos terroristas de bin Laden.
Do rol de eleições anuladas ou melhor, asfixiadas, e cujos vencedores se viram hostilizados e combatidos por todo o tipo de armas pelas nações ocidentais, afigura-se, em ponto grande, a vitória do Hamas na Palestina como o caso mais gritante, e que a menos que a memória nos falhe, não há paralelismo na historia da humanidade.
Como nós todos nos recordamos, após a vitória do Hamas, os mesmos países ocidentais que tanto se arvoram de campeões da democracia, seus defensores e promotores acérrimos, como se pode ver agora no Iraque - onde os EUA e o punhado de seus aliados têm estado a matar impiedosamente todos os que se opõem à sua democracia - aplicaram sanções àquela formação política palestiniana para inviabilizar a sua governação. E inviabilizaram mesmo porque como dizia Mandela durante a primeira Cimeira Social realizada no ano de 1995 em Estocolmo, está mais do que provado que não se pode ser bom governante, ou ter-se uma democracia em bom estado de saúde, quando se tem um povo sem nada para comer e hospitais sem medicamentos. Como sabemos, os EUA aplicaram ao Hamas sanções selectivas, especialmente de raiz financeira mas que nem com isso deixaram de afectar o povo palestino, tal como o fazem agora à ZANU-FP e aos seus líderes, porque para eles, aquela formação política palestiniana é um bando de extremistas e terroristas que ameaça a civilização ocidental, não obstante tenha sido democraticamente eleita pelo seu povo. Com essas sanções, os EUA e os seus aliados quiseram dizer com elas que não estavam de acordo com a sua opção em termos do partido que deve dirigir os seus destinos.
Quer dizer, para eles, é legítimo e justificado a todas as luzes negar as opções políticas dos povos, proclamadas através da votação nas urnas, mas já negam esse direito aos outros, como está acontecendo agora com Mugabe.
Bem vista a coisa, deviam entender que tal como eles, os outros governos os seus próprios inimigos, que portanto não os pode reconhecer de forma alguma o direito de desfrutar do poder, ou de os substituir na liderança do seu país. Ora, se os EUA e todos os seus aliados não aceitaram que a Frente Islâmica ou, já agora, o Hamas, governasse, como era a vontade da maioria dos argelinos e palestinianos, porque é que Mugabe não pode negar dar o poder ao MDC e a Morgan Tchvangirai, em função da animosidade que nutre deles ou do que ele acha que são, que é que são uma criação dos inimigos do Zimbabwe, tanto mais que nunca escondeu. E não valerá de nada tentar questionar o método que um certo governo usa para definir os seus inimigos, porque, como Mandela disse uma vez, os inimigos de uns, podem ser amigos de outros e vice-versa, daí que ele tenha se recusado aceitar os apelos de certos países ocidentais que queriam que ele se abdicasse da sua amizade com certos líderes que neste caso o Ocidente não os quer ver mesmo que estejam pintados a ouro, como o Coronel Khadafy e Fidel Castro, como era a vontade de certos países ocidentais. É que esta coisa de se ser amigo ou inimigo deste ou daquele é complicado. Por exemplo, durante as lutas pelas independências aqui na África Austral, o Ocidente alinhou com os regimes colonialistas e racistas, indo ao ponto de os fornecer as armas com que combatiam os movimentos de libertação, porque os via como agentes do terrorismo e da expansão do comunismo internacional.
Ora, vai daí que, do mesmo modo que para o Ocidente foi um erro que argelinos e palestinianos tenham votado pela Frente Islâmica ou Hamas, também Mugabe pode estar a considerar que os seus compatriotas se enganaram e votaram no MDC. Tanto mais que nem sempre a maioria tem razão. É só ver como é que o povo da Guiné-Bissau elegeu um Kumba Yalá. Ou será que tais países ocidentais não dão validade à célebre frase da então Primeira-Ministra britânica, Margareth Thatcher, de que nem sempre o que tem o apoio da maioria é correcto? É preciso ver que uma das provas de que ela tinha e tem razão, é que mesmo Hitler que foi eleito democraticamente, ele desencadeou a pior guerra mundial de que já se registou na face da Terra. E porque é que tem que ser Mugabe a respeitar religiosamente a vontade da maioria do seu povo, se os EUA e todo o Ocidente não respeitaram a vontade dos palestinos.
Se os EUA não aprovaram a vontade dos palestinianos, porque entendem que o Hamas é uma organização terrorista, caso Mugabe venha a negar de vez entregar o poder ao MDC, ou partilhá-lo com este movimento, deviam aceitar essa sua opção, porque para ele também o MDC e o seu líder não são uma oposição legítima, mas sim, uma criação e prolongamento do imperialismo, como bem o vinca ele numa entrevista que deu ao NewAfrican, e que foi publicado na sua edição de Maio do ano passado.
Para ele, é esse imperialismo que tem imposto ao seu país sanções económicas veladas, que acabaram provocando o descontentamento da população, com a intenção de levá-la a votar na oposição como parece ser o caso agora. De resto, ele pode ter razão, já que todo o mundo sabe que regra geral, o propósito das sanções é provocar o descontentamento no seio das populações, para que durante as eleições vote contra o governo do dia, para que possa derrubar, sem que se recorra à força das armas.
Dito doutro modo, as sanções são a arma preferida do Ocidente para derrubar um regime que eles não gostam e que se sujeita a eleições periódicas, como é o caso do Mugabe. Onde não há eleições, este tipo armas não costuma ser bem sucedida, dai que se recorra à força das armas, como foi o caso do Iraque onde as sanções não surtiram o desfecho que se esperava, que era derrubar Saddam Hussein para se ter o petróleo que ele não deixava ser explorado ao preço da banana. Como se viu que as sanções não resultavam, forjou-se um facto e acusou-se lhe de ter armas de destruição massiva, e se lhe derrubou com a força das armas. Para não correrem o risco dele voltar um dia ao poder, executaram-no, mesmo depois de se provar que não tinha armas nenhumas e muito menos ligações com a Al Qaeda.
NEGAR O DIREITO E OPÇÕES DOS POVOS É UMA VELHA PRÁTICA DO OCIDENTE
Na verdade, o terem negado reconhecer a opção pelo Hamas da maioria dos palestinianos ou da Frente Islâmica pelos argelinos foi uma continuação da sua velha prática do Ocidente de se opor a tudo o que não serve os seus interesses. Já antes, as nações ocidentais mostraram-se contra a luta que os então povos colonizados travavam contra os países que os colonizavam, como foi o caso de nós moçambicanos.
Por exemplo, quando o povo sul-africano lutava contra o apartheid, e o seu líder carismático Nelson Mandela minguava na cadeia, os países ocidentais forneciam armas àquele regime, alegando que o faziam porque estava lutando contra a expansão do comunismo internacional.
Aliás, o mesmo Mandela viria, após sair da cadeia, elogiar Cuba num discurso que pronunciou quando da visita de Fidel à Africa do Sul, castigando na altura todos os que insistiam que ele renegasse a amizade que mantinha com o líder cubano e o seu país da seguinte maneira: muitas pessoas, muitos países, incluindo muitos poderosos, têm nos instado a condenar a supressão dos direitos humanos em Cuba. A todos temos recordado que têm uma memória curta. Isto porque quando batalhávamos contra o apartheid, contra na opressão racista, os mesmos países apoiavam o regime do apartheid – um regime que apenas representava 14 por cento da população, enquanto a maioria do povo do país não tinha nenhum direito. Eles apoiaram o regime do apartheid. E nós acabamos combatendo com sucesso o regime com o apoio de Cuba e outras forças progressistas, disse Mandela em tom sereno e naquela sua voz vibrante, antes de vincar que agora eles querem que sejamos apenas seus amigos, indo ao ponto de se darem ao luxo de nos instar a renunciarmos aqueles povos que nos ajudaram a fazer da nossa vitória possível.
Tal como o dizia nesse discurso Mandela, é curioso notar que os mesmos países ocidentais que hoje fazem barulho para que Mugabe aceite a derrota tangencial neste caso que parece ter sofrido, não param também de lançar criticas aos restantes países da região, acusando-os de nada fazer para forçar o líder zimbabweano a ceder o poder.
O que eles querem, é que os líderes da região renunciem a amizade que têm com o Mugabe que com eles marcharam nas mesmas fileiras no tal tempo em que os povos da região era tratados como bestas para carga, e por isso mesmo lutavam pelas suas independências ou pela erradicação dos regimes racistas. Não aceitam que os outros tenham os seus amigos e aliados, tal como eles os têm e nunca os abandonam em momento algum, como sabem defendê-los a todo o custo, como o têm feito em relação a Israel, não obstante esteja a ocupar há mais de 60 anos as terras palestinas, e esteja a matar todos os que são contra essa ocupação, tal como os EUA têm estado a matar todos os iraquianos que são contra a ocupação do seu país.
Como bem o diz Mugabe, os ocidentais pecam por negar aos outros povos, o que eles mesmo fazem, como quando eles teimam em manter os arsenais nucleares, mas já não aceitem que outros países as tenham também.
Como já disse num dos artigos, esta atitude do Ocidente de negar aos outros o que eles fazem e praticam com a maior das naturalidades, leva-me a compará-los àqueles mulherengos que não toleram que as suas esposas tenham também amantes. Eles podem se opor à vitória do Hamas, como à eleição de um Allende que acabaram apoiando a sua morte trágica pelo regime de Pinochet em 1973, para não implantar o comunismo no Chile, mas já Mugabe não pode se opor a ascenção ao poder de um partido que, para ele, ´´não é mais do que uma criação de Tony Blair e do seu aliado George Bush´´, para que seja alternativa aos seu governo, de modo a que promova no Zimbabwe os interesses da Grã-Bretanha e dos EUA.
PARA MUGABE O SEU PAÍS ESTÁ EM PÉ DE GUERRA CONTRA O OCIDENTE
O que poderá levar Mugabe a fincar os pés, e a optar por não ceder o poder que ainda detém, é que ele entende que o seu país está sendo alvo de duas guerras que visam derrubá-lo a si e ao se governo – que é a guerra económica, que se traduz em sanções do tipo bloqueio como se tem imposto a Cuba, e que, como se sabe, provoca a carência de quase tudo, e a guerra psicológica, que visa moldar um pensamento anti-Mugabe na mente dos zimbabweanos, para que pensem em função da perspectiva que o Ocidente quer que pensem.
Lendo o que Mugabe tem dito, tudo indica que ele acredita que o momento em que o país vive não permite que todos os zimbabweanos pensem e analisem tudo o que se está passando de modo lógico e correcto, daí que ele poderá preferir anular o resultado eleitoral, uma vez que parece estar convencido que se está em presença da tal maioria que não está correcta.
Aliás, pouco antes das eleições de 29 Março último, Mugabe já havia deixado claro que nunca iria entregar o poder à oposição, porque, para ele, esta mesma oposição foi criada de fora para agir como Pôncios Pilatos.
Ora, se para Mugabe tudo se resume numa guerra económica e psicológica, o mundo deve estar preparado a vê-lo lutar até ao fim, porque como se diz, os homens se tornam mais obstinadas e teimosas à medida que a sua idade avança. E Mugabe conta agora com a respeitada idade de 84 anos, o que certamente lhe permitiu ver tanta coisa boa e, acima de tudo, ruim, porque, infelizmente, é o que mais abunda no mundo, incluindo o insólito ocorrido nos EUA, em que Bush teve menos voto popular, mas que se apoderou do poder na sua primeira eleição, quando a maioria dos americanos havia optado por Al Gore. São estas e outras coisas que deverão levar o velho Mugabe a dizer no seu apurado inglês frases como esta: if Mr Bush did assume the presidency withouth having been voted for by the majority of his people, why should I not do the same as well, o que, em português, significa que ´´se o senhor Bush assumiu a presidência sem ter sido votado pela maioria do seu povo, porque é que eu não posso fazer o mesmo!Esta é a questão que se deve tomar em consideração pelos que acham que Mugabe deve entregar o poder ou reconhecer a derrota. Não é coisa fácil para ninguém, incluindo para os que se arvoram de pais da democracia. Que o diga Kibak e Bush que tiveram de dar o pontapé ao voto popular… Para mim, Mugabe é apenas um bom aluno do Ocidente. Para tal, basta ver como ele assimilou a língua inglesa.
gustavomavie@gmail.com
Nota: Para mim Gustavo Mavie se tornou suspeito de falar de Zimbabwe apartir do inconsistente artigo que escreveu na altura da cimeira Euro Africana quando se discutia a ida ou não de Mugabe a Lisboa, a presença ou não do Gordon Brown. Baseando-se numa sondagem da BBC muito mal interpretada, Mavie disse que se o Mundo votasse, Mugabe derrotava esmagadoramente a Brown. Neste artigo Mavie usa um exemplo quanto a mim ridiculo quando fala de Hitler.
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