quinta-feira, 6 de junho de 2013

Chitengo aos 05 de Junho de 2013

Querida Gilé, minha terra adoptiva!
Sabes que já não está lá muito na moda e soa a muito antiquado essa coisa de escrever cartas, entretanto, completas hoje, mais um ano desde que te acharam adulta o suficiente para seres chamada de vila, e esse é um pretexto suficientemente grande para eu quebre essa coisa de xixismos instantâneos de sms ou postagens no facebook, e te faça uma carta de verdade como nos nossos tempos. Saudades daqueles tempos hein Gilé?
Embora volvidas hoje quase duas decadas, trago bem frescas as memórias dos 3 anos que passamos juntos. Lembro, como se fosse hoje, por exemplo, a tarde poeirenta em que nos vimos pela primeira vez. Eu acabara de chegar e na bagagem, trazia muita juventude e sonhos. Muita vida para viver e compartilhar. Era primeira vez que deixava o convívio familiar e me aventurava nos primeiros passos da vida de adulto. Como podia eu imaginar que uma longa história de grandes e eternas amizades estava prestes a ser escrita? Como podia imaginar que eu me apaixonaria pela tua beleza natural e pela bondade de sua gente? Como saberia que as amizades que nossa convivência produziram, resitiriam ao teste do tempo e do espaço?
Os primeiros dias foram naturalmente difíceis. Tinha que me adaptar à um sem número de novas realidades. A língua, o frio montanhoso, as comidas típicas, etc, etc. As primeiras amizades vieram do meu trabalho como professor. A Equipa de professores da EP2 era composta de jovens sonhadores como eu e foi relativamente fácil me aliar à todos eles. Depois conheci o resto do teu povo. Aprendi a conversar com as mamãs que trabalhavam a terra e dela tiravam os mais diversos sabores. Conheci os vendedores do mercado, os grandes comerciantes que se aventuravam à Nampula em busca de novidades. Conheci os homens das pedras preciosas que faziam a vida procurando e vendendo as melhores turmalinas, esmeraldas, que se podiam encontrar. Deves lembrar a febre que era essa coisa de venda de pedras preciosas. Quantas vezes não me vi obrigado a emprestar o meu inglês para mediar os negócios preciosos?
O tempo passou e nos descobrimos. Nos conhecemos e nos habituamos. Quando chegou a despedida, lembras como foi difícil deixar-te? A alegria dos dias que tinhamos passados juntos, as lições que a vida nos tinha ensinado, e a certeza que te levava para sempre no coração, foi oque me enxugou as lágrimas da despedida. Pela frente me esperavam novas experiências em novas paragens.
Das amizades que fiz, a mais marcante foi com certeza a dupla de irmãos Genito e Derito com quem felizmente nunca me separei de verdade. As distâncias físicas não conseguiram nunca nos separam, e aos longo desses anos até chegamos a passar juntos as festas do natal e do ano novo. Como podes imaginar, eram momentos para revivermos as aventuras do Gilé. A albertina não cabe nos espaço de amizades porque como sabes, ela foi muito mais que amiga. Foi com ela que te entendi Gilé, que descobri os segredos que te fazem única Gilé.
Dentre os meus alunos ficaram também grandes amizades. O Rui Paqueliua é disso um exemplo. A dupla Duartina e Avelina, hoje mulheres feitas, ainda se lembra dos tempo que me chamavam de professor Livingston. Com os irmãos Munveres nos cruzamos através do facebook e sempre que possível, nos lembramos daqueles dias no teu seio. Os irmãos Natalino e Célio Barnete também andam por perto. Com eles procuro desnferujar o pouco lomué que me resta entre os dentes.
Gilé minha querida, com essas parcas palavras, hoje voltei a ti. Voltei sim porque impiedoso, o tempo não parou, e o mundo deu as suas voltas.
Voltei às memórias agradáveis dos dia que passamos juntos e deixamos que a vida nos ensinasse a ser adultos. Voltei à tua gente carinhosa, à generosidade agrícola do vovô Ângelo e aos sorrisos dos meninos das catanhas de caju.
Voltei às margens do rio Molócue onde aos fins de tardes juntos cobiçávamos a alegria das águas deluídas em corpos tatuados de desejos proibidos. Sei que te lembras que era onde purificavamos as almas juvenis enquanto esperávamos a noite chegar.
Voltei às bandas de Nahavara onde furtiva e simultaneamente juntos caçávamos e pescávamos, artes que nos vinha impregnada nas veias virgens onde nosso sangue fervia.
Voltei à Moneia, onde se gabavam belezas divinas e nós profanos, na inocência do tempo, violávamos os santuários e raptávamos ss sacerdotisas raptávamos para rituais privados.
Voltei ao Nantroveia e Chapaeia, onde os sabores eram misturados, antes de fermentarem as mentes que destilavam depois, os mais cândidos versos, escritos nas estrelas do teu céu virgem.
Voltei às tuas ruas Gilé, onde nossas vozes hoje consagradas, se desafinavam e desafiavam o canto das floresta, onde a profissão de professor se confundia com a paixão dos professores. É nessa hora Albertina, minha nostalgia entra em cena Gilé ecomo ondas suaves acariciando a praia, uma vaga de lembranças me inundam o coração.
Ainda que seja apenas na loucura dessas palavras, voltei minha querida Gilé. Voltei para te desejar um feliz aniversário.
Deixe-me ficar com a promessa de um dia voltar a nos vermos. Sei que muita coisa mudou em ti e vou querer ver com meus próprios olhos.
Daqui da conturbada Gorongosa vai um abraço temperado de muitas saudades. Feliz 5 de Junho!


Nelson Livingston

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vamos ter paciência por favor!


Para os que já se queixam do “silêncio” do governo em relação às acusações que pesam sobre um dos  seus membros, José Pacheco, não acham que um assunto “bicudo” como esse carece de cautelas, investigação aturada, antes de se dizer seja lá oque for? Caso para dizer: Vamos ter paciência por favor! 
Não vá essa nossa cega "sede" por justiça atrapalhar tudo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Mais uma declaração não séria????


“Diz o artigo 245º do nosso Código Civil que a declaração não séria, feita na expectativa de que a falta de seriedade não seja desconhecida, carece de qualquer efeito. Está-se aqui a falar de situações em que um individuo, emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real, mas sem intuito de enganar qualquer pessoa. Nestes casos, o autor da declaração está convencido que receptor da mesma se apercebe do carácter não sério da declaração havendo mesmo a expectativa dele de que tais declarações não sejam tomadas a sério.”



A moda antiga da blogosfera, li e com muito interesse o Declarações não sérias publicado por Julio Mutisse nos seu Ideias Subversivas que apesar da “morte da blogosfera”, continua vivo e tão subversivo como sempre foi, aliás o nome não é um mero enfeite.

Da “prosa” toda, me interessou onde Mutisse nos “aconselha” a não levarmos a sério as declarações do nosso Procurador Geral da República segundo as quais “alguns magistrados e advogados são serviçais do crime organizado”. Motivos robustos são apresentados para não nos deixarmos levar por declarações não sérias como essa.

Agora, na onda do propalado relatório publicado recentemente pela Agência de Investigação Ambiental, organização não-governamental do Reino Unido, denunciando a exploração ilegal de madeira por empresas chinesas com conivência de altos quadros do governo moçambicano, a Procuradoria Geral da República na voz do procurador-geral adjunto, Taíbo Mucobora anunciou que vai lançar nos próximos dias uma investigação ao suposto envolvimento do ministro da Agricultura, José Pacheco, implicado pelo tal relatório no contrabando de madeira.

Se nos lembrarmos da forma como a MESMA PGR “tratou” o caso SEMLEX que involvia o MESMO José Pacheco, na altura ministro do interior, será que dá para levar a sério essa tal investigação ao suposto envolvimento do ministro da Agricultura, ou podemos ir prevendo o desfecho:

"A investigação foi concluída. Não há indicação do seu envolvimento no negócio nem situação de contrabando de madeira".

foto retirada daqui

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Me sugeriram a leitura e reflexão do texto abaixo, de Egídio Guilherme Vaz Raposo, que já circula em vários cantos da internet. Um texto que realmente vale a pena ler e reflectir seriamente a volta das questões que o autor levanta. Título de meu.

"O que é uma GRAÇA? GRAÇA significa por outras palavras, FAVOR DESMERECIDO. Nas relações políticas não há graça; portanto não existe favor desmerecido de ninguém para ninguém. Logo, não há graça que venha de quem nos governa nem de nós, povo, cidadãos, para quem nos governa. O estado e o governo são as únicas entidades modernas do mundo com direito sancionado pelo constitucionalismo local e global para explorar o homem pois trata-se de uma EXPLORAÇÃO DO HOMEM-PELO-HOMEM MITIGADA à luz do contrato social que vigora entre o povo e estas duas entidades. Cidadãos conscientes dos seus direitos não pedem aos seus governantes nada. Pelo contrário, EXIGEM deles, pois o contrato social prevê deveres, obrigações e direitos de ambos lados. NÃO HÁ NADA QUE O POVO RECEBA DE GRAÇA DO GOVERNO OU ESTADO! E o povo não deve nada aos governantes; pelo contrário! Um dos desafios que o nosso país enfrenta é o acesso a informação pelos cidadãos capaz de os permitir exercer com competência os demais deveres e direitos constitucionalmente garantidos. Por causa desta falta de informação, em “Nangade ou Funhalouro”, o povo; os cidadãos NÃO sabem que o poço ou furo abertos e inaugurados pelo Administrador local não são uma graça, portanto, favor desmerecido dos governos destes pontos para os povos destes pontos do país; pelo contrário, é o seu dever, cujo cumprimento já vem tarde. O ESTADO; o Governo, exploradores legais do povo moçambicano, educam este mesmo povo a ver toda obra por ela feita como uma benfeitoria sua; UMA GRAÇA e por esta via, obrigado a dizer OBRIGADO GOVERNO [porque trouxe-nos isto ou aquilo]! As cidadãs em Majune ou Chimuara não sabem que dar luz em casa por falta de hospitais com condições não é seu destino ou castigo por estarem longe de Morumbala ou perto de um; pelo contrário, é resultado do incumprimento por incapacidade ou impossibilidade do Governo suprir as necessidades sufragadas em pleitos eleitorais. Choro de tristeza quando vejo ou ouço em mensagens ou discursos de cidadãos sofridos a PEDIR algo ao Presidente da República ou Governador qualquer, bens essenciais como água, estrada ou hospitais durante as presidências abertas ou comícios similares. Por falta de informação estes Não sabem que GRAÇA é um favor desmerecido e que eles nada devem a estes; antes pelo contrário, eles não fazem nada mais senão cumprir o seu dever. O dever de governar bem. Nesta ordem de ideias, EXIGIR seria a palavra que devia substituir o PEDIR. O povo moçambicano não deve pedir nada a mais nenhum governante. Pelo contrário, DEVE EXIGIR de qualquer governante as promessas eleitorais de acordo com as competências de cada um deles. Porque assim estará a exercer seus direitos, da mesma forma que este cobra impostos ao cidadão ou o sanciona em caso de incumprimento. CRITICAR o governo deverá ser um exercício normal, perante o incumprimento das promessas eleitorais ou quando más decisões são tomadas. Quando o governo ou estado cumpre com as promessas eleitorais, ou faz boas coisas, o povo, o cidadão deve ver isto como normal, previsível, obrigação legal, prevista no contrato social. Pelo contrário, devemos todos zangar, gritar e censurar, quando elementos que compõem estas entidades roubam, não cumprem com as promessas eleitorais, ou chamam os outros de tagarelas ou coisa parecida. Sinto dores quando vejo um povo roubado oferecer a um político ovos. Em sociedades normais, não devia ser o povo sofrido, pobre, juntar os poucos ovos de uma comunidade para oferecer o “chefe”, em sinal de “reconhecimento” quando este visita uma aldeia, comunidade ou distrito! E este chefe, nestas condições, devia ter vergonha suficiente e por isso agradecer o gesto e imediatamente devolver os ovos coletados pelos seus caciques! Quantas vezes não vemos nós administradores distritais, governadores e até ministros e o próprio Presidente da República a receber um monte de presentes, entre pontas de marfim, cabrito, bois, galinhas, patos, ovos de todo tipo de aves, abóboras, maçanica, malambe, couve alface, peixe, camarão, mandioca, etc., de pobres cidadãos cuja oferta, nem sempre livre e sim coerciva ou induzida, custou sacrifícios avultados? Mas quantos destes dirigentes não viaja com tudo pago e ainda espera do subordinado as honras de casa? E quantos subordinados não sofreram por isso? É na assimetria da informação em relação ao conteúdo e implicações do contrato social que a classe dirigente e seus intelectuais orgânicos e anti intelectuais encontram o húmus para a reprodução da impunidade, falta da responsabilização e subjugação do povo que se diz soberano mas na prática explorado até ao tutano. O acesso a informação não é apenas condicionado pela dificuldade para o seu alcance e uso. É igualmente na deficiência do sistema de ensino, na promoção da ignorância e na repressão que se materializa a estratégia “estupidificadora” de todo povo moçambicano, que é levado a pensar que as obras do Governo são “graças”. Agora que você sabe que graça é um favor desmerecido e que não deve nada ao estado ou governo, saiba mais isto: 1. Não foi GRAÇAS a FRELIMO que a independência chegou a Moçambique. Dizer isso é fazer propaganda política desnecessária, encenando o contrabando semântico. O povo moçambicano unido em torno de um movimento chamado FRELIMO lutou pela independência deste país. por isso você também é herdeiro dos benefícios da independência deste país; independentemente da idade que tem; é dono deste país e tem todos os direitos como qualquer nacional; os seus ancestrais lutaram por ele, e não é culpado por não ter estado em Nachingweya, mesmo que fosse para ”jogar a bola” e “escapar à morte. Não deve por este motivo ser privilégio apenas dos filhos de dirigentes atuais ou das elites políticas, ter acesso a riqueza. Ela, a riqueza, deve ser para todos e distribuída de forma equitativa. 2. Se você nasceu depois de 1975 não deve se sentir endividado por qualquer grupo etário ou que se diz ter lutado pela independência. Agradeça pelos seus feitos, mas não se acobarde quando eles te roubam descaradamente ou tomam decisões lesivas não só para si como para todo o país. Ser herói é ser exemplo. Não é usar o passado glorioso para perpetrar a pobreza ou roubar aos jovens e o futuro do país. Não é usar a glória do passado para fins ínvios. Denuncia. 3. Você não está obrigado a elogiar qualquer feito ou obra do governo. Na verdade foi você quem o fez. O Presidente da República, o Governador, o Administrador, o Chefe do posto, todos estes já recebem dinheiro e regalias; um salário mensal suficiente para dirigir este país. Por sua vez, os ministros, secretários-permanentes, diretores de escola e outros são pagos mensalmente e têm direitos e privilégios a mais [mais que você, porque você os sustenta através dos seus impostos ou negócios que estes fazem em seu nome] para trabalharem para si. 4. Por isso, você deve se irritar, deve zangar-se e ficar inconsolado e fazer qualquer coisa quando eles roubam ou quando favorecem seus afilhados e compadres nos negócios do estado e ou com estado. Isto é corrupção. Os titulares destes postos devem ser corridos, porque agem de ma fé e as suas obras lesam o estado e o interesse comum. Você não deve continuar a naturalizar a corrupção! Faça algo! Denuncia. Escreve no seu mural, o que viu; o que sentiu; critica. 5. Não se deixa enganar. É seu direito saber como os negócios do Estado são feitos e como se chegam a decisões em relação a vários assuntos. O seu direito como cidadão não se esgota no voto; pelo contrário, continua com a missão de escrutinar os que falam em seu nome e fazem obras em seu nome. É seu direito saber, questionar e criticar sempre que não julgar apropriada uma determinada decisão do seu governante. 6. Em uma única palavra: cidadão, você deve criar em si um comportamento de permanente suspeita e vigilância em relação ao estado e governo. Suspeita tudo o que eles fazem até que eles lhe convençam sobre a sanidade das suas decisões. E eles têm o dever de explicar tintim-por-tintim o dinheiro que eles gastam em seu nome. Saiba de uma coisa: você não deve nada a ele; pelo contrário, ele deve muito a você. Eu nunca irei elogiar o governo ou estado! Não preciso. É um ato de cobardia e estupidez elogiar o governo! Ele é meu servo! E tudo de bom que faz é normal, previsível; sua obrigação. Não há “esforços do governo que visam” isto ou aquilo; “não trabalham no sentido de” eu mando, exijo e chateio-me quando as suas promessas tardam em se materializar. Eu “odeio” o Estado! Ele é por defeito, um ladrão do povo. E eu sei disto. Só não o insulto porque temos um contrato por cumprir. Portanto, eu sei que vivo uma exploração do homem-pelo-homem mitigada pelo contrário social. E como contrato, não há favores! E aqui nas redes sociais, há quem sempre gosta de me alertar que o governo faz boas coisas e por isso devo reconhecer e elogiar!" 

Egidio Guilherme Vaz Raposo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SENSAÇÕES VS SENSASONS: Uma bela ajuda para jovens que já escrevem mal




Me chamem de exagerado se assim o acharem mas eu preferia o termo precavido.
Vi passar na TVM, a nossa televisão, uma publicidade onde se pretende descobrir apresentadores para um novo programa de televisão virado para jovens. Tal como vem escrito, o programa vai se chamar SENSASONS mas eu penso, acredito mesmo, que a ideia é SENSAÇÕES. Queria eu e muito, que a palavra SENSASONS existisse em português, poderiamos então dizer confortavelmente que é homónima homófona da palavra SENSAÇÕES mas não é o caso. SENSASONS resultou, julgo eu, duma genial “criatividade” que até podia ser considerada “inocente”  se não convivessemos excessivamente com problemas, e graves, de ortografia entre os jovens e não só. Temo que alguns jovens(alvo do programa), que já escrevem mal pensem inocentemente que SENSAÇÕES se escreve SENSASONS. Nesse caso, os mentores do programa terão dado uma “bela ajuda para jovens que já escrevem mal”

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ELEIÇÕES INTERCALARES EM INHAMBANE: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS COM QUELIMANE



Como devem imaginar, já estamos a menos de dois anos para o fim do mandato e, na sequência disso, existe um manifesto que está a ser cumprido, mas há consciência de que temos de abrir novos desafios. Quero dizer com isso que não nos vamos cingir apenas em continuar aquilo que estava a ser feito, e bem feito, mas vamos começar a dar atenção a outras questões”

Assim se pronunciou e bem Benedito Guimino, na sua primeira entrevista depois de ser eleito candidato da Frelimo às intercalares em Inhambane.
Completamente diferente do derrotado Lourenço Bico de Quelimane que só falava em continuar oque estava sendo feito pelo cessante Pio.
A vantagem do discurso “não nos vamos cingir apenas em continuar aquilo que estava a ser feito” reside na possibilidade de conquistar a simpatia de quem quer ver muito mais a ser feito ou quem não vê com muito bons olhos o trabalho que esta a ser feito.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ELEIÇÕES INTERCALARES EM INHAMBANE: QUAL É O PROGNÓSTICO?


Prestando atenção  para as notícias que nos chegam de  Inhambane, parece que as lições da derrota de Quelimane foram levadas bem a sério pela Frelimo. Em Inhambane, para enfrentar Fernando Nhaca, candidato do MDM, a Frelimo, numa enorme dificuldade se tivermos em conta o número inicial de candidatos(mais de dezena e meia) e o tempo que o processo levou, conseguiu “aranjar” Benedito Guimino, um candidato com perfil bem parecido. Se alguém me disser tratar-se duma mera coincidência, simplesmente terei dificuldades em acreditar. Imagine-se que com o seu candidato professor o MDM queira aproveitar a campanha eleitoral, para “denunciar” a banalização que essa classe tem sido vitima, há que encontrar uma forma de “equilibrar a balança” e “ter também” um professor como candidato parece ser um bom passo. Se eu estiver certo, a Frelimo ter mesmo aprendido com a terrível derrota sofrida em Quelimane,  deverá por exemplo evitar deslocar-se “toda ela” para Inhambane, acabando por ofuscar a imagem do candidato. O país não precisa parar, e todos os ministros, secretários permanentes, directores nacionais, provinciais, presidentes dos municipios entre outros, deslocarem-se todos a Inhambane para a campanha eleitoral. É obviamente importante que o candidato seja apoiado pelos membros seniores do seu partido mas por favor que seja de forma moderada. Haja espaço para ele discursar, apresentar pessoalmente  as suas ideias de governação.
A Frelimo deverá também evitar usar ostentiva e abusivamente os meios do estado para sua campanha eleitoral como temos ouvido ser reportado em eleições passadas.
Bem, eu acho que se espera um bom e equilibrado embate eleitoral em Inhambane e como fui habituado, já estou até a espera de prognósticos e seus respectivos fundamentos é claro.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DISCURSO DE DESPEDIDA DE RUPIAH BANDA: um exemplo que vale a pena seguir


Rupiah Banda do MMD perdeu as eleições presidenciais zambianas para Michael Sata. A instantes, recebi o pacífico e pacificador discurso de despedida de Rupiah Banda que asseguir transcrevo. Banda deixa claro que pelo facto do seu partido ser democrático, aceita os resultados das eleições, aceita mudança e assume a responsabildade pela derrota. Dois parágrafos(11, e 12) do discurso me marcaram de forma especial. Neles, Banda elogia os esforços de Frederick Chiluba e do partido MMD por ter tornado a Zâmbia num estado genuinamente multipartidário mas desconfia que ao longo dos anos se tenham tornado complacentes com os seus ideais, não tenham ouvido, lhes tenha carecido ideias por isso a missão agora é reflectir  sobre qualquer erro que tenha sido cometido e aprender deles caso contrário não merecem voltar a concorrer para o poder.   Devia ser esse o espírito dos derrotados nas eleições e não as várias manobras que temos visto acontecer e que terminam em “crise política” e ou em “Governo de Unidade Nacional” e etc etc.


FAREWELL SPEECH BY HIS EXCELLENCY, MR RUPIAH BWEZANI BANDA,
FOURTH PRESIDENT OF THE REPUBLIC OF ZAMBIA,

ON FRIDAY, 23RD SEPTEMBER, 2011

"I HAVE CALLED THIS PRESS CONFERENCE TO SAY A FEW WORDS. THE ELECTION CAMPAIGN OF 2011 IS OVER. THE PEOPLE OF ZAMBIA HAVE SPOKEN AND WE MUST ALL LISTEN. SOME WILL BE HAPPY WITH WHAT THEY HAVE HEARD, OTHERS WILL NOT.

THE TIME NOW IS FOR MATURITY, FOR COMPOSURE AND FOR COMPASSION. TO THE VICTORS, I SAY THIS: YOU HAVE THE RIGHT TO CELEBRATE BUT DO SO WITH A MAGNANIMOUS HEART. ENJOY THE HOUR BUT REMEMBER THAT A TERM OF GOVERNMENT IS FOR YEARS.

REMEMBER THAT THE NEXT ELECTION WILL JUDGE YOU ALSO.
TREAT THOSE WHO YOU HAVE VANQUISHED WITH THE RESPECT AND HUMILITY THAT YOU WOULD EXPECT IN YOUR OWN HOUR OF DEFEAT.

I KNOW THAT ALL ZAMBIANS WILL EXPECT SUCH BEHAVIOUR AND I HOPE IT WILL BE DELIVERED. SPEAKING FOR MYSELF AND MY PARTY, WE WILL ACCEPT THE RESULTS. WE ARE A DEMOCRATIC PARTY AND WE KNOW NO OTHER WAY.

IT IS NOT FOR US TO DENY THE ZAMBIAN PEOPLE. WE NEVER RIGGED, WE NEVER CHEATED, WE NEVER KNOWINGLY ABUSED STATE FUNDS. WE SIMPLY DID WHAT WE THOUGHT WAS BEST FOR ZAMBIA. I HOPE THE NEXT GOVERNMENT WILL ACT LIKEWISE IN YEARS TO COME.

ZAMBIADESERVES A DECENT DEMOCRATIC PROCESS. INDEED, ZAMBIA MUST BUILD ON HER PAST VICTORIES. OUR INDEPENDENCE WAS HARD WON, OUR DEMOCRACY SECURED WITH BLOOD.

ZAMBIAMUST NOT GO BACKWARDS, WE MUST ALL FACE THE FUTURE AND GO FORWARD AS ONE NATION. NOT TO DO SO WOULD DISHONOUR OUR HISTORY.

TO MY PARTY, TO THE MMD CANDIDATES WHO DID NOT WIN, THE LESSON IS SIMPLE. NEXT TIME WE MUST TRY HARDER.
WE FOUGHT A GOOD CAMPAIGN. IT WAS DISCIPLINED. I STILL BELIEVE WE HAD A GOOD MESSAGE AND WE REACHED EVERY PART OF THE COUNTRY.

WE TRAVELLED TO ALL NINE PROVINCES AND WE SPOKE TO ALL ZAMBIANS. TO THOSE WHO WORKED EVERY HOUR OF THE DAY, I SAY ‘THANK YOU’. YOU HAVE DONE YOUR BEST. BUT, SADLY, SOMETIMES OUR BEST IS NOT GOOD ENOUGH.

DO NOT BE DISHEARTENED. THE MMD WILL BE BACK. WE MUST ALL FACE THE REALITY THAT SOMETIMES IT IS TIME FOR CHANGE. SINCE 1991, THE MMD HAS BEEN IN POWER. I BELIEVE WE HAVE DONE A GOOD JOB ON BEHALF OF ALL ZAMBIANS.

FREDERICK CHILUBA LED US TO A GENUINE MULTI-PARTY STATE AND INTRODUCED THE PRIVATE SECTOR TO OUR KEY INDUSTRIES. ZAMBIA WAS LIBERATED BY AN MMD IDEAL BUT MAYBE WE BECAME COMPLACENT WITH OUR IDEALS. MAYBE WE DID NOT LISTEN, MAYBE WE DID NOT HEAR.

DID WE BECOME GREY AND LACKING IN IDEAS? DID WE LOSE MOMENTUM? OUR DUTY NOW IS TO GO AWAY AND REFLECT ON ANY MISTAKES WE MAY HAVE MADE AND LEARN FROM THEM. IF WE DO NOT, WE DO NOT DESERVE TO CONTEST POWER AGAIN.

THE ZAMBIA WE KNOW TODAY WAS BUILT BY AN MMD GOVERNMENT. WE KNOW OUR PLACE IN HISTORY AND WE KNOW THAT WE CAN COME BACK TO LEAD AGAIN IN THE FUTURE. A NEW LEADERSHIP WILL BE CHOSEN, AND THAT LEADERSHIP WILL BE FROM THE YOUNGER GENERATION.

MY GENERATION… THE GENERATION OF THE INDEPENDENCE STRUGGLE-- MUST NOW GIVE WAY TO NEW IDEAS; IDEAS FOR THE 21ST CENTURY. FROM THIS DEFEAT, A NEW, YOUNGER MMD WILL BE RE-BORN. IF I CAN SERVE THAT RE-BUILDING, THEN I WILL.

I MUST THANK MY CABINET FOR DELIVERING ON OUR PROMISES. WE DID A LOT OF GOOD FOR ZAMBIA. MANY OF OUR PROJECTS WILL BLOSSOM INTO BRIGHT FLOWERS. SOME OF YOU WILL BE BACK TO SERVE ZAMBIA AGAIN – I KNOW YOU WILL DO YOUR BEST FOR YOUR PARTY AND FOR YOUR COUNTRY.
TO THE CIVIL SERVANTS AND GOVERNMENT OFFICIALS, IT HAS BEEN A PRIVILEGE TO SERVE WITH YOU. WE HAVE WORKED MANY LONG HOURS TOGETHER. WE DID IT NOT FOR OURSELVES BUT FOR ZAMBIA. SERVE YOUR NEXT MASTERS AS YOU DID ME, AND ZAMBIA WILL BE IN GOOD HANDS.

I MUST THANK MY FAMILY AND MY WIFE. THEY HAVE STOOD BY ME AND I CANNOT ASK FOR MORE LOYALTY THAN THAT WHICH THEY HAVE DISPLAYED. I LOVE YOU ALL DEARLY AND I WILL ALWAYS BE IN YOUR DEBT.

BEING PRESIDENT IS HARD WORK, IT TAKES LONG HOURS OF WORK. AND BECAUSE OF IT, I HAVE NOT ALWAYS BEEN THERE FOR YOU. YET, STILL YOU WERE THERE FOR ME.

WORDS CANNOT EXPRESS THE DEPTH OF MY LOVE FOR YOU ALL. ALL I ASK IS THAT MY FAMILY CONTINUES TO SERVE ZAMBIA AS I HAVE SOUGHT TO DO.

BUT MY GREATEST THANKS MUST GO TO THE ZAMBIAN PEOPLE. WE MAY BE A SMALL COUNTRY ON THE MIDDLE OF AFRICA BUT WE ARE A GREAT NATION. SERVING YOU HAS BEEN A PLEASURE AND AN HONOUR. I WISH I COULD HAVE DONE MORE, I WISH I HAD MORE TIME TO GIVE.

NOW IS NOT THE TIME FOR VIOLENCE AND RETRIBUTION.
NOW IS THE TIME TO UNITE AND BUILD TOMORROW’S ZAMBIA TOGETHER. ONLY BY WORKING TOGETHER CAN WE ACHIEVE A MORE PROSPEROUS ZAMBIA.

I HAVE NO ILL FEELING IN MY HEART; THERE IS NO MALICE IN MY WORDS. I WISH HIM WELL IN HIS YEARS AS PRESIDENT.
I PRAY HIS POLICIES WILL BEAR FRUIT.

BUT NOW IT IS TIME FOR ME TO STEP ASIDE. NOW IS THE TIME FOR A NEW LEADER. MY TIME IS DONE. IT IS TIME FOR ME TO SAY ‘GOOD BYE’.

MAY GOD WATCH OVER THE ZAMBIAN PEOPLE AND MAY HE BLESS OUR BEAUTIFUL NATION.

I THANK YOU.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

AS LÁGRIMAS DE CROCODILO DE MANUEL DE ARAÚJO

Foi assim que alguém denominou as lágrimas que Manuel de Araujo, candidato à sucessão de Pio Matos no município de Quelimane nas eleições intercalares de Dezembro, deixou “rolar” durante a entrevista concedida ao jornal " O País". Entrevista cujos assuntos abordados estão a suscitar várias leituras desde a questionamento em torno da verdadeira motivação de Manuel Araújo se candidatar, o tratamento que os quadros da frelimo provenientes da Zambézia, vendedores do Mercado Estrela receberão em virtude do apoio que MA diz ter recebido deles até à dificuldade que a Frelimo tem em achar um candidato. 

Questiona-se por exemplo se MA não teria outra forma de ajudar o municí pio sem ter que se candidatar; se O MDM não o desencaminhará da sua paixão por uma Quelimane diferente entre outras questões.

A experiência me manda acreditar que neste país, os interesses político- partidários muitas vezes senão todas, se sobrepões aos interesses genuinamente do povo e nesse caso específico os zambezianos. Aos poucos vou deixando de acreditar que haja quem se candidate à postos como esses pensando pura e simplesmente no povo. Não tenho dúvidas que MA tenha uma vasta lista de formas de ajudar o município e que ser o mayor da cidade seja uma delas, agora se é a melhor ou não, tenho neste momento, dificuldades de avaliar.
Por conta de história, da experiência, o gesto de MA pode sim ser considerado individual e egoísta com vista a satisfazer os seus intentos pessoais em detrimento da maioria mas sua possível eleição, o apoio que efectivamente receber dos quelimanenses, e o trababalho que for a fazer(mostrar) como mayor nos permitirão afirmar sem equivocos oque o motivou a se canditar em substituição de Pio Matos.
Vamos às hipóteses. Hipóteses e apenas isso!
Quanto ao tratamento que os “quadros séniores do partido no poder, provenientes da Zambézia” vão receber depois do que MA disse, eu penso que aqui “mora” um assunto grosso e de difícil digestão. Se de facto forem marginalizados dentro do Partido por conta do apoio que MA diz ter recebido deles, significará que a Frelimo acredita, com ou sem provas que realmente tenham apoiado ao “ adversário”, e aqui há mais. Se realmente apoiaram o adversário pode significar que não tenham concordado com a forma com o assunto Pio Matos foi gerido pelo partido, ou na pior ainda que estejam desgastados com a liderança da Frelimo no município. Se por outro lado a frelimo não levar a sério as afirmações de MA pode significar que acredite piamente nos tais quadros ou tenha provas de que as declarações de MA não passaram de um discurso típico de campanha eleitoral.
Quanto aos vendedores ambulantes do Estrela, alguém, questionava oque o apoio deles tem a ver com Quelimane. Tanto quanto sei, “pululam” por lá muitos machuabos, conterrâneos do MA e alguns moçambicanos oriúndos de Nampula. Se efectivamente esses vendedores apoiam MA pode ser não só por serem de Quelimane mas por acreditarem/anseiarem por alguma espécie de mudança que acreditam ser possível com MA e ou não necessariamente com o MDM. Não acredito que sejam tratados pior do que já são por conta do apoio à MA. Aliás não teriam apoiado ao “adversário” se estivessem satisfeitos.
 Na relação MDM/MA parece ser onde tenho maiores problemas. É MA efectivamente membro do MDM ou simplesmente concorre com o apoio do MDM?
Tanto na primeira assim como segunda possibilidade, a ser eleito, sua liderança será de alguma forma influenciada pelo MDM embora em proporções diferente sendo maior na primeira possibilidade. Se o MDM pretender por exemplo usar Quelimane, em caso de uma possível victória, como modelo de boa gestão municipal e dai tirar trunfos para as futuras eleições autárquicas, atrevo-me a acreditar que dará o melhor de si e sendo assim não há riscos de “desencaminhamento” do amor que MA diz ter pela cidade.

Fico no entanto muito intrigado pela aparente “dificuldade” que a frelimo tem em achar um candidato ideal para Quelimane e não acredito que essa dificuldade tenha simplesmente a ver com a “estatura” de MA(académico, natural da Zambézia). Tenho para mim que ela tem também a ver com Pio Matos que me parecia bem “implantado” na alma dos machuabos. Li também algures que uma das possibilidades é o empresário Lourenço Aboobacar que foi uma das vezes derrotado por Pio Matos nas eleições internas. Isso tudo deixa a claro a dificuldade em achar alguém que seja um substituto de Pio Matos e simultaneamente um bom adversário de MA.
Em jeito de conclusão, concordo plenamente com quem diz que essas eleições serão “um teste a maturidade política do Zambeziano” e quiça à hegiemonia que com toda evidência, a Frelimo goza.
 Nelson Livingston
P.S: Deve ter razão o Karim que diz que “Essas eleições vão animar”, não é que parece que vão mesmo animar!!!


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Se Kadafi fosse amigo de Samora Machel

Por Wagner Mangue

Um ambicioso é capaz de tudo! Pode vender a pátria, só por causa da sua ambição.
Samora Machel
 
Se alguém lúcido disser que fica surpreendido com alguma coisa neste mundo, juro que vou duvidar da sua idoneidade. Acredito que estamos a viver uma revolução, a mesma que o homem viveu quando descobriu o fogo, pois, a partir daquele momento, tudo na sua vida mudou.

Muitas vezes, a mudança aparece sem nos avisar e só nos damos conta quando ela já esta dentro de nós. E por vezes mudar não é fácil.

Pensei que fosse gozo quando, de madrugada, recebi um comentário no facebook referindo que os rebeldes (assim chamados) já estavam em Trípoli e que o dia ia amanhecer com a desejada revolução na Líbia. Li o comentário, mas não o levei a sério. Mas, com o dia a amanhecer, junto da televisão, pude confirmar que o comentário era real, e devo confessar que foi um balde de água fria para as minhas expectativas acerca ao desfecho do caso líbio.

Nessa altura, tentei esboçar um outro cenário a que o Coronel poderia recorrer, para ter a situação a seu favor, mas constatei que já era tarde demais. já quase nada podia ser feito, e a grande preocupação que devia ter seria proteger a sua vida.

O mundo é feito de boas e mais amizades, e o líder estava rodeado de gente que fingia amá-lo, enquanto queria vê-lo na situação em que está hoje.

Kadafi possuía a lâmpada mágica (petróleo), e essa era cobiçada por muitos. A lâmpada mágica dava asas ao Coronel e ele podia fazer e dizer o que quisesse, porque o “génio” realizava todos os seus desejos. Os desejos do coronel irritavam certas pessoas, as quais não vale a pena citar, porque já sabemos quem são.

O nosso Coronel pecou em não ser amigo do Marechal Machel, porque, garanto, se fossem amigos, nada disso teria acontecido, porque iria muito bem lembrar-se da sua forma de ser e de resolver os problemas. Uma das maiores lutas que o nosso Presidente Samora Machel travou foi a luta contra o tribalismo.

Aliás, o tribalismo foi o que traiu Kadafi, porque um povo que aparentemente tem a mesma forma de pensar pode transformar-se numa verdadeira bomba relógio.

Samora Machel, num discurso proferido na passagem do 10 aniversário da nossa independência, disse: “Nenhuma força do mundo vai vencer a força do povo moçambicano… a nossa pátria será túmulo para todos os capitalistas e imperialistas”. a retaguarda segura do marechal era o povo. um povo unido vence qualquer inimigo. exemplos disso foi a destruição do sistema colonial português, que acumulou várias baixas.

A força do povo é fundamental, e quanto mais estivermos unidos, mais vitórias podemos alcançar. O Coronel esqueceu-se disso.

QUE LIÇÃO PODEMOS TIRAR DO CASO LÍBIO
Está provado que a história se repete. Se, antes, o Ocidente vinha por causa de “trocas” comerciais, agora, vem para levar tudo a todo o custo.

O caso líbio tem que servir de lição para todos nós, porque hoje podemos ser amigos, mas amanhã as coisas podem mudar. e quando o povo não está com os seus líderes, dá espaço para a pilhagem de recursos. Os ambiciosos, neste momento, querem o petróleo. amanhã, vão descobrir que o mesmo não chega. nesse momento, virão atrás de gás, carvão, madeira, terra e o que mais os satisfaz. nesse sentido, vão fazer-nos o que fizeram na Líbia, porque vão também agitar, até alcançarem os seus intentos.

Neste momento, não existe relação entre estados, existem somente interesses. por isso, devemos estar em alerta, antes que seja tarde demais!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Frelimo envolto num frenesim faz trovoada num copo d’água para nos pregar susto: Carta ao meu amigo Nelson

Depois de algum tempo em silêncio, o meu amigo Dedé voltou a escrever-me:
 
Caro Nelson,
Das ondas de demissões em massa de edis, às prisões dos líderes da consciência em Maputo e na Zambézia, o incêndio da TV Miramar na sede dos camaradas para só ser visto por canais fechados, à ‘maka’ da madeira em Nacala-Porto - anunciar a criação de uma universidade da Frelimo não é um insulto?

Se, por um lado, todo mundo sabe que a conquista do ar ‘democrático’ se deve à moçambicanos que foram a mata ou fizeram a luta política quer activa quer na clandestinidade contra o regime tirano do que se seguiu a proclamação da nossa Independência, por outro, hoje vivemos ares preocupantes que nos lembram esses períodos passados com os desdobramentos da Frelimo no seu seio e fora dele contra cidadãos que se prezam servir ao seu jeito à causa nacional.

Vimos, Nelson, há dias quatro edis, por sinal do Partido dos Camaradas [e dizem que a lista ainda vai longa, que cuidem em Chibuto, Alto-Molócue, Gurué, Namaacha, Montepuez e Vilankulo], que foram vilipendiados sem apelo nem agravo para que deixem os seus postos por uma aventada corrupção e má gestão nas edilidades que dirigem. Pior que isso são obrigados a fazer as suas renúncias invocando motivos ditados pelo Partido. Para quê isso? Até aonde a Frelimo vai com essa fabricação de ‘tornados’ onde não existem?

Já há semanas atrás assistimos boquiaberto,o filme em redor do músico de proa, a seguir aos calabouços por uma ‘erva daninha’ [vulgo suruma] que não chegava a grama sequer, numa altura que se preparava para lançar o seu álbum: Aza-leaks. O que a Frelimo temeu ao se antecipar, prendendo o músico Azagaia? A meu ver o efeito daquele ‘feito’ foi perverso. Azagaia foi o mais lido e tão venerado que os que lhe mandaram prender nos dias que esteve entre as ‘barras’ e hoje a mesma Polícia não diz a ninguém o que não sabe. Não sabe mesmo. Que o diga o antigo Director da PIC António Frangules. Não temos inteligentzia para investigar quaisquer casos que se julgam criminais. Prendemos à-toa e, muitas vezes, movidos, pela busca insaciável do lucro fácil, e, com ele, a infâmia para a corporação. E como se a lição não tivesse sido aprendida, foram dar razão ao senhor Hermínio dos Santos, pregando bofetadas pecaminosas e colocando-lhe a ver o ‘sol aos quadradinhos’ sem culpa formada, à ilharga dos seus 'convivas' que querem ser problemas resolvidos com a Frelimo. Hermínio dos Santos não é dirigente associativo qualquer. Ele dirigente é duma associação de desmobilizados de guerra, reconhecida pelo Estado, através do Ministério da Justiça. Porque pregar-lhe ‘sustos’, chuva de ‘porradas’ com ele e como se não bastasse o arremesso ao cárcere? O que a Frelimo teme de Hermínio? Calar a verdade? Nem a ele nem a ninguém calarão infelizmente.

Se calar a verdade, as mentes é retirar uma TV nacional do convívio dos teus telespectadores queimando os seus retransmissores, estamos enganados. Se calar a verdade é inventar que há problema de roubo de madeira, quando na verdade os donos das mercadorias, ‘os sem rosto’, continuam a não dar a cara, estão muito enganados. Todo mundo sabe quem são os donos da madeira retida em Nacala. Todo mundo sabe quem faz negócio sujo com os chineses. Todo mundo sabe quem vira rico, gosta de piripiri, gosta de quase tudo e quase que inveja a nossa pobreza de que jura combater, chamando-se insanos. Afinal porque não diz que temos que fazer o combate de sermos todos ricos, não ele/s sozinho/s.

E, no meio desse frenesi estonteante, de ataques aqui, prisões acolá levando a imprensa que eles controlam, a Frelimo e seu acólitos irrompem à-torto e a direito com mentiras, na voz do ‘menino’ de sempre, de que vão criar uma universidade da Frelimo. Onde trazem o dinheiro [sujo] para isso? Quotas? Por favor!

Mais diria, Nelson, um abraço

Dedé Moquivalaka

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Letra da Canção Oficial dos X jogos Africanos 2011



África  
   Hoye hoye, hoye hoye 
    
 Moçambique                                                          
    Hoye hoye, hoye hoye    
  (2X)

O teu braço levanta o Sol
O meu braço levanta o sonho
O mundo inteiro vem ver
Nós, juntos, somos mais
 
somos um povo a vencer
somos um povo a ganhar
jogos que trazem alegria
para nosso povo vibrar
(2X)
 
Refrão
 
Hoje, África vai correr
Hoje, África vai ganhar
 
Porque o mundo vai cantar
No estádio do tempo
Unidade e Paz vamos entoar
 
somos um povo a vencer
somos um povo a ganhar
jogos que trazem alegria
para nosso povo vibrar
(2X)
 
Hoje, África vai ganhar
...
    
Moçambique, tu és capaz
de fazeres futuro em paz
campeões, somos todos nós
na disputa pela esperança
ninguém sai a perder
 
África  
   Hoye hoye, hoye hoye 
    
 Moçambique                                                          
    Hoye hoye, hoye hoye    
(8X)