quinta-feira, 30 de junho de 2011

FEIZAL SIDAT QUER CONTINUAR A ESCANGALHAR O FUTEBOL


Feizal Sidat pretende continuar a frente da Federação Moçambicana de Futebol e consequentemente do nosso futebol. Esta manhã “caiu” no Inbox do meu correio electrónico, o seu manifesto eleitoral, com o título “Feizal Sidat, Todos por um  futebol vitorioso! Título bonito, diga-se de passagem. Que todos queremos um futebol victorioso é um facto, tal como é facto que nos dias em que correm(com Sidat a dirigir a FMF) o nosso futebol não tem sido vitorioso como gostariamos que fosse. Não vou aqui discutir se é culpa dele  ou não mas acho que antes de andar por ai a prometer mundos e fundos, Sidat devia procurar entender e profundamente, oque tem estado a falhar esses anos em que ele esteve a dirigir e o futebol não foi vitorioso. Diante por exemplo, dos graves problemas de arbitragem que ouvimos reportados e são do pleno conhecimento de Sidat, acho que no seu manifesto eleitoral devia trazer algo mais sólido que nos ajudasse a perceber oque vai mal com a arbitragem e oque vai se fazer para mudar o cenário. Depois de ler o manifesto e decidir postá-lo aqui, me lembrei da postagem do amigo Mutisse lá no seu Ideias Subversivas: Estamos certos do que queremos e de onde vamos com o nosso desporto no geral e com o futebol em particular?



MANIFESTO ELETORAL
Feizal Sidat, Todos por um  futebol vitorioso!

A minha crença                Acredito que o país tem um grande potencial humano para inverter o actual estágio do futebol, desde que seja potenciada uma liderança visionária e investimentos necessários no seio das organizações que intervêm no desenvolvimento do futebol;
Acredito que  a estratégia geral de desenvolvimento de futebol em Moçambique deve estar assente no desenvolvimento dos clubes que praticam o futebol, desde as categorias de iniciados (de base) até as sêniores;
Acredito que uma parceria mais estreita entre o Sector Produtivo (Público/Privado) e cidadãos comprometidos com a causa do futebol, em particular, e do desporto em geral, pode gerar as sinergias e os recursos humanos, materiais e financeiros  necessários para o desenvolvimento do futebol;
Acredito que os bons resultados trazidos pelas equipas e seleções nacionais ajudam a elevar a auto-estima colectiva, pelo que as grandes emoções do público nacional devem estar acima dos interesses individuais das pessoas, clubes e correntes de opinião.
A minha motivação        Depois de quatro anos de serviço meritório no leme dos destinos da Federação Moçambicana de Futebol, alguns sucessos alcançados  me motivam a recandidatar-me para a minha própria sucessão, nomeadamente:
·      Qualificação de Moçambique para o CAN 2010 em Angola;
·      Melhoria da posição de Moçambique no ranking da FIFA;
·      Colocação dos pisos sintéticos em dois campos de futebol  em Maputo;
·      Retomada dos trabalhalhos de reabilitação da Academia Mário Esteves Coluna, na Namahacha;
·      Início de um projecto de reestruturação organizacional supervisionado pela FIFA para a profissionalização da Federação Moçambicana de Futebol e sua transformação numa fonte de geração de rendimentos;
·      Estreitamento das relacçãoe bilaterais com a Federação de Futebol da Baviera que culminaram com o envio da Selecção Nacional a Alemanha, entre outros.
Os sucessos acima demostrados me encorajam e me motivam a lutar para ganhar espaço para continuar a desenvolver e projectar a imagem do futebol moçambicano. 

A minha promessa         Qualificar o país para o Campeonato Africano das Nações -  CAN 2013, na Africa do Sul, (com objectivo de alcançar ) lutando que atinja os quartos de final.   

Para lograr este objectivo central várias actividades, a vários níveis, serão realizadas.

ÁREAS DE ACTUAÇÃO

Competição:                     Um dos maiores desafios com que se depara o futebol moçambicano é o insuficiente nível de competição interno. Para um bom nível de desempenho é necessário que aos atletas sejam criadas condições para atingir o número mínimo de competições nacionais e internacionais de modo a estar a altura dos desafios que se lhes esperam para os objectivos competitivos traçados neste programa.
Para tal, é prioridade desta candidatura:
·         Aumentar o número de jogos dos actuais 16  para 36 por temporada;

Formação                           A formação estará no centro das nossas atenções com vista a garantir que os objectivos traçados sejam cumpridos. Com efeito, iremos:
·           Padronizar os métodos de formação no  seio dos clubes;
·           Organizar cursos regulares de formação para os treinadores, árbitros, dirigentes (secretários gerais) e pessoal do gabinete técnico, dentro e fora do país;
·           Consolidar parcerias na área de formação  com Federações e Associações Internacionais
·           Afectuar anualmente cursos de formação de treinadores a vários níveis

Marketing                          A captação de receitas para a FMF está estritamente ligada às actividades de marketing. É o marketing que (impulsiona) estão na linha da frente do processo da criação da imagem da selecção nacional, o qual permitirá que seja valorizado e desejado pelas empresas para se associarem a ela, que resultará na captação de receita financeira para custear as actividades da FMF. Para tel, iremos:
·           Contratar um profissional de Marketing a tempo inteiro com formação específica em Marketing desportivo e experiência comprovada,
·           Implementação de sistema de metas de alcance de receitas com base no rácio entre receitas e despesas,
·           Produzir os brand guidelines da marca MAMBAS;
·           Registar internacionalmente a marca MAMBAS;
·           Criação de uma entidade comercial que trabalhará com a marca MAMBAS
·           Prelecções de individualidades nacionais e e internacionais para dissertar sobre temas relacionados com o futebol;
·           Lançamento da revista digital da FMF;
·           Fidelização dos patrocinadores dos Mambas, bem como a criação de novos pacotes de marketing;
·           Criação e lançamento do “Clube dos Fans Mambas”

Infrastruturas                   O desenvolvimento do futebol está também intimamente ligado ao desenvolvimento das infra-estruturas condignas para a prática da modalidade, que permitam que todos os atletas nacionais pratiquem a modalidade em condições infrastruturas que se encontras dentros dos padrões  establecidos e internacionalmente aceites. A actual situação não pode continuar pois ao longo do país é sabido que as infrastruturas não possuem as condições necessárias para a prática condigna da modalidade, pelo que trabalharemos  queno sentido de criar condições iguais para a prática da modalidade ao longo do país. Com efeito, iremos trabalhar na:
·           Construção de mais dois (2) pisos de relva sintêtica, um em cada uma das regiões do país.
·           Construção das sedes das Associações Provinciais de Futebol nos locais onde não existem.

NÍVEIS DE ACTUAÇÃO

FMF                                      Recursos Humanos:      Tendo em conta o facto de os recursos humanos serem o ponto de partida para o sucesso de qualquer actividade, irei motivar a equipa de trabalho no sentido de torna-la mais efectiva e profissional, e que seja capaz de responder aos novos desafios que serão impostos pela nova dinâmica. Colocarei como foco a isto passa pela formação dos colaboradores do actual quadro já existentes bem como o recrutamento de outros profissionais com competências ajustadas aos desafios que a FMF assume com esta candidatura outro tipo de valências e experiências. Vou colocar especial ênfase na reengenharia da estrutura organizacional da FMF tendo em conta as “best practise” de outras instituições congéneres para imprimir maior dinâmica funcional do ponto de vista administrativo.  Uma estrutura administrativa dinâmica dará o suporte necessário para que a Direcção Executiva implemente o Manifesto Eleitoral que proponho.

Meios Técnicos:              Para se assegurar a execução das actividades, a FMF deverá ser equipada com novos sistemas de comunicação e informação equipamentos informáticos, de comunicação e de impressão. Isto passará por dotar a FMF com bem como dotá – la de um servidor principal de modo a assegurar uma armazenagem segura das informações, garantido  assim a conservação da memória institucional em formato digital. Ainda a nível de sistemas de informação desenvolveremos e potenciaremos a utilização do website como principal veículo de interacção com os amantes do futebol e entidades em geral criando assim espaço para uma maior divulgação da nossa imagem institucional.
Novo Escritório:              A promessa feita traz consigo uma nova dinâmcia que nos impõe  a que actual sede da FMF seja transferida a sede da FMF do actual edifício para um outro com maior espaço e condições infraestruturais condignas para permitir a consecução do objectivo estabelecido.
O novo escritório  estará munido de um auditório que possa permitir uma maior interação entre a Direcção da FMF e os seus associados, e outras instituições que participam no desenvolvimento do futebol em Moçambique.

Gabinete Técnico:         Considerando que é o Gabinte Técnico que lida com os assuntos técnicos da selecção nacional de futebol, deverá ser dotado de novas capacidades técnicas e humanas capazes de perseguir o objectivo geral de qualificar a selecção nacional até aos quartos de final do CAN 2013.

Mambas                              Os resultados trazidos pela selecção nacional de Moçambique constituem o melhor barómetro para avaliar o desenvolvimento do futebol em Moçambique. Muitas melhorias ocorreram na prestação dos Mambas, contudo, acreditamos que há ainda muito espaço para melhoria da prestação da selecção de todo nós, pelo que iremos:
·         Contratar, dentro e fora do país, técnicos capazes de implementar a nossa visão de atingir os quartos de final do CAN 2013, na África do Sul;
·         Fortalecer os macanimos de troca de informação entre o técnico principal da selecção nacional e os técnicos das equipas contribuintes dos atletas;
·         Definir critérios objectivos de eligibilidade para integrar a selecção nacional, e as metas a serem atingidas individualmente por cada integrante da selecção nacional;
·         Aumentar o níveis de financiamento às actividades da selecção nacional que lhe permita uma preparação e rodagem que a permitam o melhores níveis de desempenho; e
·         Melhorar a posição da seleção nacional no ranking da FIFA/CAF/COSAFA.

Associações                       As Associações Provinciais do Futebol são os pilares da Federação Moçambicana de Futebol. Desempenham um papelo estratégico e vital no processo da inclusão  sabido que são elas os promotores do futebol a nível da província.
                                               Para lograrmos o nosso objectivo é de todo importante que a seleção nacional de futebol tenha a maior representatividade nacional, não somente do ponto de vista da origem dos atletas, mas tambem da distribuição geográfica dos clubes que representam. Para tal, teremos de ampliar o playfield através de:
·      Visitas técnicas regulares as províncias com vista a acompanhar in loco o estágio de desenvolvimento das actividades futebolísticas;
·      Incremento das dotações financeiras atribuídas às associações provinciais de modo a permitir a realização cabal das actividades planificadas;
·      Como forma de incentivar e motivar os Secretários Gerais das Associações Provinciais, será instituído pago um subsídio mensal;
·      Distribuição de kits futebolísticos, de dois em dois anos, às selecções provinciais; e
·      Apoio às Associações Provinciais em materiais e equipamentos de escritório para melhorar os níveis de execução e acompanhar a pressão associada à nova visão

Clubes                                 Os clubes de futebol devem se constituir  em viveiros de atletas de futebol em Moçambique. A construção de uma selecção de futebol competitiva e ganhadora só será possível se os clubes forem também competitivos e possuírem atletas de qualidade forjados internamente.  Em situações normais , não pode haver uma forte selecção Nacional quando não houver nenhuma boa equipa de futebol. É nos clubes onde são formados e moldados os atletas para integrarem a seleção nacional. Daí que, para cumprir com a nossa promessa, trabalheremos para que:
·         Os clubes de futebol estabeleçam e desenvolvam escolas de jogadores dos escalões inciais;
·         Os clubes com recursos mais meios criem academias desportivas (de futebol) onde os atletas não somente desenvolvam busquem as aptidões futebolísticas, mas que também se desenvolvam as suas aptidões humanas academicamente;
·         Facilitar o acesso financeiro junto de organismos internacionais aos clubes que abraçarem a ideia de desenvolver academias de futebol;



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Estará a faltar ‘luz’ à Senhora Maria da Luz Guebuza?

Por: Ericino de Salema

A Televisão de Moçambique (TVM), a [denominada] estação pública de televisão do país, mostrou, no seu ‘Bom Dia Moçambique’ desta quarta-feira, 22 de Junho de 2011, uma reportagem que documentava a visita que a Primeira-Dama de Moçambique, Maria da Luz Guebuza, está – ou estava – a efectuar ao distrito da Moamba, na província do Maputo.

Nessa sua visita, Maria da Luz Guebuza mostrou-se, uma vez mais, como “mãe de todos” os petizes deste país, ao evidenciar que dá muito enfoque, nas suas visitas – que alguns já catalogam de ‘Presidências Abertas Paralelas’ – ao amparo à criança, sobretudo aquelas cujos progenitores tenham perecido por causas diversas, e que, por força disso, se aliam aos inúmeros moçambicanos que conjugam constantemente, mesmo sem se darem conta, o verbo sofrer. Ou sobreviver.

Maria de Luz Guebuza é, de longe, muito activa quando comparada com Marcelina Chissano, que foi Primeira-Dama de Moçambique durante 18 anos, ou seja, de 1986 a 2004. A questão que se pode colocar, por ora, é se esse activismo é compatível com princípios basilares que corporizam a i) democracia liberal e a ii) separação de poderes. A indagação se estenderia à austeridade que se espera na gestão dos países que vivem apelando à caridade pública internacional, e não só, sobretudo nos actuais ‘dias de peste’.

Permito-me começar com uma ‘viagem ao passado’. Há três anos, manifestei a minha indignação, em jeito do exercício do ‘direito à razão – que se não deve confundir com ‘o ter razão’, por ser, tão-somente, o constitucional direito à liberdade de expressão –, em artigo publicado nas páginas do semanário SAVANA, com o título “O show-off ‘off’ de Maria da Luz Guebuza”, com a forma como as suas ‘Presidências Abertas Paralelas’ estavam a ser realizadas; o que sucedeu foi que, quando viajava, num certo dia de 2008, a Inhambane, tive a sorte de cruzar com a sua comitiva algures em Quissico, no que pude ‘contabilizar’ mais de 50 carros, muitos deles só com os seus condutores, o que se me afigurou como um desnecessário esbanhamento de recursos.

Para não cansar a ‘santa paciência’ dos que investem o seu precioso tempo em me ler, retomo ao leit motiv desta pequena prosa: a peça inserta no ‘Bom Dia Moçambique’ referida acima, na qual a Primeira-Dama era a ‘figura de cartaz’.

Numa das passagens dessa reportagem, Maria da Luz Guebuza deu, de viva voz, orientações a quem ela chamou de ‘Camarada Administrador’, para que este arranjasse ocupação para o menino de 14 anos com quem ela interagia, pois aquele, órfão de pais, estudava de noite e “tem que fazer algo de dia para ajudar no sustento da família”, tal como fez questão de frisar a Primeira-Dama de Moçambique, a quem Manuel de Araújo certa vez denominou de “vice-Presidente da República [de Moçambique]”.

Talvez equivocado, fiz, de mim para comigo, muitas perguntas após ter ouvido o que dela registei atrás, e que se resumem no seguinte:

·         Que legitimidade tem a Primeira-Dama de dar ordens a um administrador distrital?
·         Estava ela, naquele momento, em actividade do seu partido ou do Gabinete da Esposa do Presidente da República – financiadas, portanto, por fundos públicos, que tem os nossos impostos como uma das fontes – a ponto de tratar o administrador de ‘camarada’? [não sou ingénuo para se apelar à ‘polissemia’ da palavra camarada…]
·         Será que aquele petiz de 14 anos precisa de emprego ou de uma vaga no ‘diurno’, podendo estar, talvez, num centro internato duma escola pública, com uma bolsa do Estado? A que horas descansará e revirá a matéria aquele menino, se de dia procurar renda e de noite ir à escola?
·         Diz a Lei do Trabalho que os menores que tenham entre 12 a 15 anos só podem aceder a um emprego depois que tenham sido autorizados pelos seus pais ou tutores. Quem é a Primeira-Dama para ‘obviar’ esse imperativo legal?

Não termino sem deixar claro que gostaria de estar equivocado, pois, se não for esse o caso, me parece grave que uma Primeira-Dama dum país civilizado se comporte daquela maneira. Ou temos que esperar “até ver os morcegos a doar sangue”, para não merecermos o epíteto de ‘Apóstolos da Desgraça’? Se os equívocos estiverem distantes de mim, então está a faltar luz à Senhora Maria de Luz Guebuza!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

QUANDO AS EQUIPES NÃO SE COMUNICAM...



COMENTÁRIO: Alguém "encaixou como uma luva" essa imagem tirada daqui, à história da CESTA BÁSICA, onde dentre os membros da equipe,
-Uns acham que o país precisa de cesta básica(não sei como chegaram à essa conclusão).
-Uns até partem para a operacionalização da ideia, com explicações aos parlamentares, recenseamento dos beneficiários entre outras actividades.
-Uns acham que o país está estável e não precisa de cesta básica(também não sei como se chega à essa conclusão).
-Outros ainda acham(ainda que tardiamente) que o país precisa é de produzir e não de cesta básica.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SUMBANA ENTRE NÓS


Para proceder à apresentação do novo administrador do parquet Nacional da Gorongosa e à abertura oficial da época turística 2011, esteve no Chitengo no dia 16 de Junho, Sua excelência o senhor ministro do turismo Fernando Sumbana Junior. Com vários grupos de trabalho envolvidos nos diversos níveis de preparação da visita, as duas últimas semanas foram bem agitadas, tinha que se guarantir que a recepção do número um do turismo fosse boa. O ministro chegou por volta das 9:00 horas e assistiu à cerimómia tradicial Nsembe, dirigida pelos líderes tradicionais. Seguiram-se depois, discursos do adimistrador do distrito da Gorongosa que desejou boas vindas ao ministro e aos convidados da cerimónia, exaltando a importância do Parque que por sinal leva o nome dos distrito que dirige possivelmente pelo facto do Parque ocupar 50% da area total do distrito. Seguiu-se à leitura da mensagem do sector da fiscalização, discurso do senhor Gregg Carr e representação do comite de supervisão, discurso do senhor Anibal nhampossa director provincial do turismo em representação do governador de Sofala que também apresentou o senhor Mateus José Mutemba, o recentemente empossado admistrator do Parque nacional da Gorongosa que logo asseguir fez o seu discurso, comprometendo-se a dar o seu melhor para contribuir nos esforços que vem sendo feitos no sentido de restaurar o Parque. Dando continuidade ao programa, o corpo dos fiscais jurou sua lealdade ao administrador e seguiu-se o discurso do ministro que culminou com a abertura official da época turística 2011. No seu discurso, Fernando Sumbana lembrou que 16 de Junho era uma data revestida de grande importância por ser simultâneamente a data em que se comemora o dia da criança Africana, aniversário do massacre de Mueda e dia do Metical, a nossa moeda. Activdades culturais, almoço, um breve encontro com a direcção do parque e o Safari inaugural no período da tarde, completaram o programa da visita do ministro do turismo. Segundo Mateus Mutemba, o ministro ficou sensibilizado pelo trabalho que tem sido feito e pelo calor que lhe foi transmitido na recepção motivos para dizer que estão de parabens todos que fazem o dia dia desse Parque que tal como se tem dito, é o cartão de visita da Provincia de Sofala senão até de Moçambique.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

SOBRE A CRISE


A suposta crise no Movimento Democrático de moçambique(MDM) gerou vários artigos, análises e opniões nos jornais, postagens e comentário em blogs. Tenho estado a acompanhar uma interessante série que já vai no seu número 11, lá no Diário de um Sociólogo do Dr. Carlos Serra, que entre outros aspectos, de alguma forma ajuda e muito a entender o “espírito” por trás do que se diz em torno da tal crise.
Um dos pontos que chamou atenção na abordagem do Dr.Serra, parece ser a “hipocrisia” dos que se preocupam com oque o MDM está a viver, seja lá oque for. Vale a pena acompanhar!
  

Sobre crise 1 

"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)

Uma nova série que me servirá para escrever um pouco sobre uma palavra chamada crise, muito utilizada no nosso país no sentido político. Acho que em todos nós, portadores do pensamento identitário - propenso à invariância e, portanto, rebelde à contradição -, a imagem de uma crise assemelha-se àquela que figura na imagem em epígrafe: a de uma corda que se partiu.

Sobre crise 2
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta nova série, sugerindo o seguinte sumário:
*Conceito de crise
*Pensamento identitário, diferença opinativa e crise
*A concepção de crise como cataclismo
*Crise como instrumento moral
*Crise como instrumento de propaganda
*Três exemplos de imputação críseca em Moçambique

Sobre crise 3
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo algumas ideias sobre o primeiro ponto do sumário que vos propus no número anterior.
No seu sentido médico original, a crise é uma perturbação somática, uma alteração do estado - considerado habitual ou normal - do corpo. Em termos de sistemas sociais, é uma perturbação num determinado estado de coisas ou de fenómenos, um curto-circuito em coisas ou fenómenos considerados normais, habituais. A crise é, ao mesmo tempo, um revelador de conflitos que não estavam visíveis e um accionador de novos fenómenos. Mas, fundamentalmente, a crise deve ser tomada como um fenómeno ou como um conjunto de fenómenos bloqueando a reprodução de um determinado sistema. As crises podem ser regressivas ou progressivas, regressivas quando são postos em acção processos de retorno a uma situação anterior, progressivas quando são desencadeados processos dando origem a uma nova situação. Não poucas vezes, as crises sociais são acompanhadas de mecanismos destinados a expulsar o agente ou os agentes causadores da perturbação, a identificar e a expulsar o suposto responsável ou os supostos responsáveis.

Sobre crise 4
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo algumas ideias sobre o segundo ponto do sumário que vos propus, a saber: pensamento identitário, diferença opinativa e crise.
De forma muito abstracta: não é nada fácil entrar na cavidade das coisas, percorrer os labirintos dos fenómenos, seguir a pista das contradições e dos conflitos, fugir ao reino da classificação rígida e da não-contradição, ao substancialismo, ao império da identidade unívoca.
Amamos instintivamente o Mesmo, a diferença perturba-nos.

Sobre crise 5
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo algumas ideias ainda sobre o segundo ponto do sumário que vos propus, a saber: pensamento identitário, diferença opinativa e crise.
O pensamento identitário, com o seu horror às diferenças, com a sua filosofia da suspeita, fica sempre muito preocupado quando a diferença opinativa toma curso, quando as ambivalências e as mediações surgem, quando as bifurcações são a paisagem da vida. A diferença opinativa em política causa especial horror. Quando surge, por exemplo nos partidos políticos, é frequente falarmos em crise. Mais: partidos apologistas da diferença opinativa tornam-se os maiores apologistas do Mesmo quando se encontram como gestores do poder político. Na verdade, o nosso apego ao Mesmo é tão profundo que o Diferente nos torna intolerantes, em particular quando estão em jogo recursos de vida e poder.

Sobre crise 6
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo algumas ideias ainda sobre o terceiro ponto do sumário que vos propus, a saber: a concepção da crise como cataclismo.
Acho que muitos de nós não gostam nem da corda nem do arco, pois ambos representam sistemas em tensão perpétua. A tensão aborrece-nos, amamos decididamente a uniformidade, a antífrase é um problema. Se acontece surgir um fenómeno que se afaste do nosso imenso amor pela simetria, pela obediência, logo emitimos a perturbada sentença de que estamos perante uma crise. Mas não só: a crise não é percepcionalmente um fenómeno simples, é um fenómeno ruidoso, final, cataclísmico. Crise representa uma espécie profana de fim do mundo. Por exemplo, se num partido surge uma opinião contrária ou se ocorre um cisma, imediatamente afirmamos que chegou o fim do partido, imagem figurada do fim do mundo. Uma crise aparece-nos como um cancro. É profunda, creio, a nossa idealização do estável, do imutável.

Sobre crise 7
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo mais algumas ideias, mais algumas hipóteses ainda sobre o terceiro ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento moral.
Escrevi no número anterior que a crise, quer dizer, a crise que nós achamos que existe, a crise por nós injectada nos fenómenos, tem um duplo aspecto moral: é ao mesmo tempo o que não desejamos que seja e o que desejamos que seja.
Na verdade, o nosso apelo ao Mesmo, ao Uniforme, leva-nos a recusar o que surge como Diferença, como Descaminho nos roteiros das nossas vidas e dos processos sociais. Por isso estamos sempre ou quase sempre - em meio ao pensamento identitário, em meio à obsessão pelo Igual -, aptos a tecer profusas considerações morais sobre o que consideramos ser uma crise indesejável. Moralizar é a nossa maneira habitual de analisar crises (estudem os jornais e aperceber-se-ão rapidamente disso). É o deve ser e não o é, o que nos interessa. Em termos políticos, não apreciamos nada que surjam opiniões divergentes nos nossos partidos, especialmente se o sistema é multipartidário e entendemos que as fraquezas podem ser aproveitadas pelos adversários. Existe todo um tenaz esforço formal e informal para decapitar a Diferença e o Protesto, atribuindo-os aos maus designíos de forças obscuras, de forças consideradas antinaturais e antipatrióticas.

"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo algumas ideias ainda sobre o terceiro ponto do sumário que vos propus, a saber:crise como instrumento moral.
A crise, quer dizer, a crise que nós achamos que existe, a crise por nós injectada nos fenómenos, tem um duplo aspecto moral: é ao mesmo tempo o que não desejamos que seja e o que desejamos que seja.
Sei quão tola é a questão assim enunciada, mas no próximo número tentarei tornar claro o que parece confuso.
 
Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo mais algumas ideias, mais algumas hipóteses ainda sobre o terceiro ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento moral
Escrevi no número anterior que a crise, quer dizer, a crise que nós achamos que existe, a crise por nós injectada nos fenómenos, tem um duplo aspecto moral: é ao mesmo tempo o que não desejamos que seja e o que desejamos que seja.
Agora, vamos ao que desejamos que seja.
Na verdade, há coisas que muito desejamos que sejam ou aconteçam na nossa crise. O que mais desejamos é a queda dos outros, a sua ruína, o seu desaparecimento político. A crise é, para nós, um real prazer, um linchamento apetecido.
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo mais algumas ideias, mais algumas hipóteses desta vez sobre o quinto ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento de propaganda.
A crise é uma arma apetecida no combate político. Qual crise? A crise dos outros. A este propósito, é possível transformar a crise num triplo momento: (1) falsa preocupação com o mal que é suposto apoquentar os outros, (2) imensa alegria com esse mal e (3) receituário piedoso.
Prossigo mais tarde.
 
Sobre crise 11
"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo mais algumas ideias, mais algumas hipóteses ainda sobre o quinto ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento de propaganda.
Permito-me recordar o que escrevi no número anterior: a crise é uma arma apetecida no combate político. Qual crise? A crise dos outros. A este propósito, é possível transformar a crise num triplo momento: (1) falsa preocupação com o mal que é suposto apoquentar os outros, (2) imensa alegria com esse mal e (3) receituário piedoso.
Quando surge o que se entendemos ser uma crise política na casa do Outro, damos imediata conta pública do quanto estamos preocupados, na superfície das preocupações navega o que parece ser um genuíno pesar, um sincero anseio pela alteridade opinativa ou comportamental. No bojo das coisas, porém, viaja uma imensa alegria com o que entendemos estar a passar-se. E entre a falsa preocupação da superfície e a nua realidade do interior - ser perversamente dúplice no cenário de uma hipócrita conversão na estrada de Damasco -, irrompe um receituário piedoso, cheio de peregrinas mezinhas do género "portem-se bem, tenham cultura digna, procedam como nós". O centro do poder despreza e/ou odeia a periferia política, canibaliza-a analiticamente em permanência através de eufemismos sem fim.



 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

SEGUNDO AUTARCA, MUNICÍPIO DA BEIRA PODE ESTAR A PAGAR 40 MIL DÓLARES POR CADA PREMIAÇÃO DE DEVIZ SIMANGO

Périto sénior em matéria de Administração e Markting com conhecimentos sólidos sobre a PMR-África, revela ao O Autarca que esse montante serve para suportar pagamentos a assessoria prestada com a elaboração dos termos de sustentação da distinção, pagamentos das páginas da revista para a inserção dos conteúdos ou pressupostos da premiação, e ainda deslocações e alojamento tanto dos promotores da revista assim como do próprio edil e membros da sua comitiva que geralmente participam desses eventos que acabam se transformando mais num jantar do que propriamente uma cerimónia.

Um perito sénior em matéria de Administração e Markting com conhecimentos sólidos sobre a PMR-África, revista sul africana que nos últimos anos tem estado a distinguir Daviz Simango alegadamente pelo seu desempenho autárquico, denunciou ontem ao nosso jornal que o município da Beira pode estar a pagar àquela publicação cerca de quarenta mil dólares norte americanos (aproximadamente 1.3 milhões de meticais) por cada premiação ao seu edil.
Segundo o périto baseado em Maputo, o montante inclui os pagamentos a assessoria prestada com a elaboração dos termos de sustentação da distinção, pagamentos das páginas da revista para a inserção dos conteúdos ou pressupostos da premiação, e ainda deslocações e alojamento tanto dos promotores da revista assim como do próprio edil e membros da sua comitiva que geralmente participam desses eventos que acabam se transformando mais num jantar do que propriamente uma cerimónia
. A fonte indicou qualquer sujeito e ou instituição pode encomendar àquela revista para a sua distinção, uma prática comum nos últimos tempos geralmente usada por organizações empresariais que pretendam promover a sua imagem no mercado ou obter créditos junto de instituições do seu interesse.
Essa revelação, no entanto, desvaloriza o mérito das sucessivas distinções do autarca Daviz Simango pela PMR-África, porquanto entende-se uma premiação é um acto de recompensa ou honra concedida alguém, o que difere de um acto de aquisição, pois o prémio ou a honra o normal não se compram, se não passa a ser uma auto-premiação ou pseuda-premiação.
Uma vez que Daviz Simango já foi premiado cinco vezes pela mesma instituição e tendo em conta a denúncia feita ao nosso jornal pelo perito em matéria de Administração e Markting baseado em Maputo e que, sabe-se, já ajudou algumas organizações a aderirem aquele negócio, o município da Beira pode ter despendido até aqui cerca de duzentos mil dólares (aproximadamente 6.6 milhões de meticais) para suportar a distinção do seu edil.
Trata-se de um valor bastante elevado que certamente sugere as entidades competentes averiguarem a sua proveniência, porquanto sabe-se essa despeza não consta de nenhuma rubrica das contas do município.
Última distinção não teve o impacto desejado
Entretanto, a nossa fonte em Maputo considerou a última premiação de Daviz Simango pela revista sul africana PMR-África não surtiu o impacto que seria de desejar por parte do edil da Beira, ao não ter merecido destaque em quase toda imprensa nacional.
Aliás, na nossa edição anterior apresentamos argumentos de um jornalista em exercício na Beira que disse a distinção de Daviz Simango nesta segunda-feira não suscitou interesse por parte da mídia uma vez que esta já tem a percepção de aqueles prémios não passam duma farsa para atrair simpatia popular.
Na opinião do mesmo jornalista, a história desses prémios sabe-se muitas vezes são encomendados, envolvem pagamentos, e observou que os critérios de atribuição não são claros, pior em relação a uma cidade que se sabe enfrenta sérios problemas desde o saneamento, estradas, limpeza, fraca atracção de investimento o que torna a urbe com taxas elevadas de desemprego, criminalidade, e ainda os problemas que sistematicamente se levantam na imprensa sobre a própria gestão que tem assumido um carácter nepotista e de certa arrogância. “São aspectos que acho deviam ser levados em conta para uma cidade que conquista o quinto prémio consecutivo, piora ainda o facto de os mesmos serem atribuídos sempre pela mesma instituição”.
Cúpula de Daviz usou truque para simular que houve muita aderência
Ainda na edição de ontem referimos que Daviz Simango não conseguiu nesta terça-feira renovar a dimensão de recepção que já teve outras vezes quando foi receber o prémio de melhor desempenho autárquico em Moçambique.
O número de pessoas que o foram receber anteontem no Aeroporto Internacional da Beira não superava sequer um quinto do universo que vinha se registando das vezes anteriores. Há quem tenha feito uma contagem superficial e disse ao nosso jornal não passavam sequer quinhentas pessoas, apesar de o prémio que trouxe anteontem ser ainda maior que os anteriores por se referir de melhor desempenho autárquico em toda África Austral, enquanto doutras vezes se referia apenas ao conjunto das trinta e três autarquias moçambicanas.
Um influente actor político na Beira disse ontem ao nosso jornal que Daviz Simango e a sua cúpula percebendo da fraca afluência popular, usaram uma estratégia que foi barrar o trânsito na via usada simulando que todas restantes viaturas que seguiam atrás faziam parte da caravana, para criar uma sensação na opinião pública de ter sido recebido com pompa e circunstância.
Esse cenário, segundo a fonte, criou sérios transtornos à vários automobilistas que acabaram não conseguindo cumprir os seus compromissos porque não puderam chegar a hora uma vez o trânsito estava bloqueado.
O AUTARCA – 26.05.2011

NOTA:
Todas as avaliações deverão ser feitas por peritos, seja sobre que matéria for. Mas a credibilidade da avaliação só se dá quando o perito for devidamente identificado. Avaliações de peritos ”anónimos” não dão credibilidade, independentemente da justeza da avaliação. De quem se trata, afinal?

Fernando Gil
FONTE: MACUA DE MOÇAMBIQUE 

sábado, 14 de maio de 2011

PORQUE A POPULAÇÃO DEVE DEVOLVER OS "7 MILHÕES" ?

“Na verdade, ao não devolver o dinheiro emprestado há quatro anos, a população não o faz sem exemplos. Inspira-se nos outros, neste caso, as figuras de proa do partido no poder”.

O Conselho de Ministros anunciou, esta semana, que de Dezembro de 2006 a Dezembro do ano passado, apenas 5% de um total de 4.2 mil milhões de meticais, concedidos pelo Governo nos últimos quatro anos, no âmbito  dos famosos “Sete Milhões” – Fundo de Desenvolvimento Distrital –, foram  reembolsados até aqui.
O Conselho de Ministros já decidiu, em sessão de Março passado, que irá, segundo o seu porta-voz, Alberto Nkutumula, levar, a partir de agora, os devedores dos “7 milhões” à cadeia. Refiro-me a cidadãos nacionais a quem o Governo decidiu entregar dinheiros que variam de menos de 10 mil a mais de 100 mil meticais,  desde 2006, para desenvolverem projectos no âmbito do projecto “Distrito como pólo de Desenvolvimento”. É esta faixa populacional que poderá enfrentar cadeia por não devolver migalhas do tesouro público.
Não discordo que sejam responsabilizados. Contudo, julgo que o Governo não é detentor de poder moral para vir publicitar que os mutuários não reembolsaram 95% dos 4.2 mil milhões de meticais que lhes foram atribuídos através de um projecto que, como dizia Jeremias Langa, na sua coluna de opinião “Em jeito de Fecho”, foi criado “sem normas, estas encontraram o jogo em andamento e...as normas lutam desesperadamente para se adaptarem ao jogo e aos intervenientes do mesmo”. Antes de vir publicamente anunciar, à imagem de “anjos trombistas”, que os pobres não devolvem migalhas e que serão detidos, devia, o Governo, denunciar os membros do seu partido que não devolvem, desde 2002, milhões de meticais ao Estado.
Ora vejamos alguns exemplos de devedores de somas avultadas de dinheiro do Estado, há cerca de nove anos. A TSL, uma transportadora, ora falida, criada pelos antigos combatentes, contraiu um empréstimo de 67.2 milhões de meticais, pouco mais de 2 milhões de dólares americanos. Nove anos depois, esta empresa ainda não desembolsou sequer um centavo. A empresa faliu há mais de quatro anos. Hoje, nem sequer instalações possui, mas os seus proprietários circulam com o à-vontade na praça, além de que possuem empresas. Ninguém os toca e ninguém veio publicamente dizer que eles serão levados à cadeia. Esse dinheiro é dado como perdido.
O grupo Mecula, propriedade do “camarada” Alberto Chipande, a quem a história atribui a autoria do primeiro tiro que marcou o início da guerra de libertação nacional, recebeu, em 2002, 42.2 milhões de meticais ao câmbio de 30 meticais, cerca de 1.5 milhão de dólares. De lá até Dezembro de 2009, apenas tinha devolvido cerca de 11%, ou seja, 5 milhões de meticais ao Estado, o equivalente a média de 1% de reembolsos por ano. O proprietário do grupo já veio publicamente dizer que ele e os outros membros da Frelimo são os detentores do direito à riqueza justamente porque lutaram pela libertação deste país.
“E se forem ricos (os dirigentes da Frelimo), qual é o mal? Afinal de contas não foram os mesmos que trouxeram a independência de que vocês estão a usufruir?”, disse Chipande no ano passado. Na mesma semana, quando a Frelimo veio tentar minimizar a gravidade das declarações do seu membro, alegando que ele tinha sido “mal entendido”, Chipande desmentiu-os, reiterando que não tinha sido mal entendido: “publiquem na íntegra, duas ou mais vezes ao dia, para que o povo possa ouvir. Não estou mal compreendido e eu quero que vocês (órgãos de comunicação social) divulguem mais as minhas declarações (de que eles têm direito à riqueza). Reafirmo o que disse”, vincou.
Este pronunciamento, conjugado com a dívida que possui com o Estado, era motivo para levá-lo à força à cadeia. Mas porque ele é ele, ninguém do Governo esboçou sequer uma tosse. As instituições de justiça fizeram de contas que não ouviram e nem viram os jornais que fizeram ecos bocejantes de um dos devedores do tesouro público há cerca de 10 anos.
Da lista dos devedores, há ainda a registar a falida Trans-Austral (38.3 milhões de meticais), a Cegraf de deputados da Frelimo, empresa que ainda goza de sanidade financeira, que mantém sob sua custódia os 11.9 milhões de meticais – apenas reembolsou 350 mil meticais de um total de 12.3 milhões de meticais que recebeu, conforme se pode ver na Conta Geral do Estado de 2009, analisada e aprovada este ano pelo Parlamento.
Na verdade, ao não devolver o dinheiro emprestado há quatro anos, a população não o faz sem exemplos. Inspira-se nos outros, neste caso, as figuras de proa do partido no poder. Se os devedores, há menos de quatro anos – de menos de 10 mil meticais (cerca de 300 dólares) até pouco mais de 100 mil meticais (pouco mais de 3 mil dólares) – devem ser detidos e encarcerados nas cadeias, também devem ser detidos, julgado e condenados, primeiro, os que mantêm consigo mais de 300 mil dólares americanos (mais de 10 milhões de meticais) do Estado, em diante, há cerca de 10 anos.

Fonte: O PAÍS

COMENTÁRIO: Aqui há coerência. Muita coerência!